quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

 Janeiro... um mês para lembrar, agradecer e construir paz

Diz-se muitas vezes que janeiro é o mês mais lonngoooo do anooooo... Os dias parecem arrastar-se, o frio e o cinzento instalam-se, e o entusiasmo típico das festas dá lugar a alguma apatia e cansaço emocional. Para muitas pessoas, este é também um período mais vulnerável do ponto de vista psicológico, marcado por tristeza, desmotivação ou ansiedade face ao novo ano que começa.

No entanto, janeiro não é apenas um mês difícil. É também um tempo simbólico, carregado de significados que nos convidam à reflexão, à memória e à construção de algo novo — individual e coletivamente.

O ano inicia-se com o Dia Mundial da Paz, celebrado a 1 de janeiro. Num mundo atravessado por conflitos, desigualdades e tensões, esta data ganha um peso especial. Falar de paz não é apenas falar da ausência de guerra, mas sim da presença de valores como o respeito, a empatia, o diálogo e a cooperação. A paz começa nos pequenos gestos do quotidiano: na forma como resolvemos conflitos, como escutamos o outro, como cuidamos das nossas relações e da nossa comunidade escolar.


Poucos dias depois, janeiro lembra-nos uma das páginas mais sombrias da história da humanidade: o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, assinalado a 27 de janeiro. Esta data convoca-nos à memória coletiva, não para permanecer no sofrimento do passado, mas para aprender com ele. Recordar o Holocausto é um ato de responsabilidade ética e educativa. É lembrar até onde podem levar o ódio, a discriminação, a desumanização e o silêncio. É também reafirmar a importância da educação para os direitos humanos, para a diversidade e para a inclusão — pilares essenciais de uma escola segura e saudável.


A este respeito, deixamos a sugestão de leitura do Caderno do Avô Heinrich, de Conceição Dinis Tomé (Docente no nosso agrupamento de Escolas). Uma obra que nos faz viajar no tempo e nos conta uma história de amizade e coragem, numa época dominada pelo medo, ao mesmo tempo, que nos fomenta valores como a empatia, a solidariedade e a coragem moral.

Entre estas datas de grande peso histórico e simbólico, janeiro celebra também algo aparentemente simples, mas profundamente transformador: o Dia do Obrigado. Dizer obrigado/a é um gesto pequeno, mas com um impacto enorme no bem-estar psicológico e relacional. A gratidão fortalece vínculos, promove emoções positivas, aumenta o sentido de pertença e contribui para um clima mais positivo, seja na família, na escola ou na sociedade. 

                             

Na psicologia, sabemos que praticar a gratidão — reconhecer o que recebemos, o apoio que temos e os pequenos aspetos positivos do dia a dia — está associado a níveis mais elevados de bem-estar emocional, resiliência e satisfação com a vida. Num contexto escolar, o agradecimento pode ser uma poderosa ferramenta educativa: agradecer o esforço, a ajuda, a escuta, o respeito. Ensinar crianças e jovens a valorizar o outro é também educar para a paz.

Assim, apesar da fama de mês cinzento e pesado, janeiro pode ser encarado como um tempo de consciência e intenção. Um mês que nos convida a olhar para trás, para não repetir erros; a olhar para o presente, para cuidar das nossas emoções e relações; e a olhar para o futuro, com responsabilidade e esperança.

No Serviço de Psicologia e Orientação, acreditamos que a saúde psicológica se constrói todos os dias, através de pequenos gestos, de espaços de escuta, de relações significativas e de uma escola que valoriza o bem-estar emocional tanto quanto o sucesso académico.

Que este início de ano seja uma oportunidade para:

  • falar mais de paz e praticá-la no quotidiano;
  • lembrar o passado para construir um futuro mais justo;
  • dizer mais vezes obrigado/a, com sinceridade;
  • e cuidar de nós e dos outros, com empatia.

Mesmo nos meses mais longos e cinzentos, é possível acender pequenas luzes.

Janeiro pode ser o começo ;)





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