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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O sucesso também se aprende: como inverter uma trajetória descendente - versão para pais

Setembro é um mês de janeiro para os milhares de alunos e professores. É um novo ano que começa, uma etapa que inicia, com as suas rotinas, desafios, alegrias e angústias. É sempre um momento de recomeço.


A diferença este ano é que fomos confrontados com os mais recentes resultados do PISA que mostraram uma diminuição assustadora dos resultados dos nossos alunos (para ver o relatório clique AQUI). A tendência de crescimento que se registava nos resultados dos nossos alunos inverteu-se e regressaram a níveis que já não se observavam há cerca de 20 anos. 


Em termos práticos, isto significa que muitos jovens apresentam hoje mais dificuldades na leitura e compreensão da informação do que os seus pares de 2005. E quando a leitura falha, o impacto faz-se sentir em todas as áreas. Na Matemática, por exemplo, não basta saber calcular: é preciso compreender o problema, selecionar a informação relevante e definir uma estratégia de resolução. Desde interpretar uma tabela de horários até gerir um orçamento ou comparar preços num supermercado, a capacidade de compreender informação escrita está na base de inúmeras competências essenciais para a vida. 
Por isso, melhorar os resultados escolares significa também investir no desenvolvimento da leitura, do raciocínio e do pensamento crítico.

Perante estes resultados tão discrepantes dos alunos portugueses em áreas fundamentais como a leitura, a matemática e as ciências, é natural que surjam preocupações. De quem será a culpa? Dos ecrãs? Da Escola? Dos pais? Mas, mais importante do que procurar culpados, estes resultados são um convite à reflexão e à ação. 



Sabemos que o sucesso escolar não depende apenas das capacidades individuais dos alunos. É o resultado de hábitos, atitudes, competências socioemocionais, apoio familiar e práticas educativas consistentes. E a ciência psicológica diz-nos que muitas das capacidades associadas ao sucesso podem ser desenvolvidas e fortalecidas ao longo do tempo. A motivação, a persistência, a autonomia, a organização do estudo, a curiosidade e a confiança para enfrentar dificuldades não são características inatas. São competências que se aprendem, treinam e cultivam diariamente.


Neste início de ano letivo, pais e professores têm uma oportunidade única para ajudar os alunos a construir bases mais sólidas para aprender melhor e alcançar o seu potencial. Porque, tal como a leitura, a matemática ou as ciências, também o sucesso se aprende.

Hoje deixamos aqui algumas dicas para os pais. Num próximo artigo voltaremos com sugestões para os professores!


O que podem fazer os pais?


1. Promover hábitos regulares de leitura

A competência leitora continua a ser a base de toda a aprendizagem. Ler não serve apenas para ter melhores notas a Português; é fundamental para compreender problemas matemáticos, interpretar informação científica e desenvolver pensamento crítico.


Algumas sugestões:

  • Criar momentos diários de leitura em família- desligam-se ecrãs e cada um lê o seu livro, na mesma divisão da casa, durante meia hora ou uma hora. Repita duas a três vezes por semana.
  • Dar o exemplo, mostrando que os adultos também leem. Volte a ter um livro na mesinha de cabeceira. Vá à Biblioteca Municipal fazer o cartão de leitor e requisite livros. É grátis! Encontra lá livros para todos os gostos e para todas as idades.
  • Conversar sobre livros, notícias ou artigos de interesse. Comentar o que acontece no mundo, de forma adequada à idade das crianças, indo para além do que se vê na tv ou nas redes sociais.
  • Limitar a utilização passiva dos ecrãs promovendo atividades que exijam concentração. Cada vez mais estamos conscientes de que os ecrãs não desenvolvem competências importantes nas crianças e adolescentes. Devemos voltar aos puzzles, sopas de letras, montagem de Legos, pintura, desenho, trabalhos manuais diversos, ..., além de estimularem a criatividade, a atenção, a destreza motora, entre outras competências, são excelentes estratégias de regulação emocional.


2. Valorizar o esforço mais do que os resultados

Os alunos que acreditam que a inteligência não é uma competência inata, e que pode desenvolver-se através do trabalho, tendem a persistir mais perante as dificuldades. Em vez de dizer: "Tu és muito inteligente." Experimente: "Fico muito orgulhoso/a por te esforçares para estudar para essa disciplina." Esta pequena mudança ajuda a desenvolver uma mentalidade de crescimento e maior resiliência.


3. Criar rotinas previsíveis

O cérebro aprende melhor quando existe organização e previsibilidade nas rotinas. Deste modo, é importante garantir:

  • Horários regulares de sono.
  • Tempo definido para estudo em casa.
  • Espaço tranquilo para realizar as tarefas escolares.
  • Equilíbrio entre aulas, estudo, lazer e atividade física.


4. Desenvolver a autonomia

Muitos pais, com a melhor das intenções, acabam por resolver problemas que deveriam ser enfrentados pelos filhos. Em vez de apontar as soluções, de imediato, fazer perguntas como:

  • "Como é que isso poderia ser resolvido?"
  • "Precisas de ajuda para resolver isso?"
  • "O que é que precisas que eu faça para te ajudar?"

Deste modo estará a estimular a capacidade de reflexão e a autorregulação da aprendizagem.

5. Cuidar da saúde emocional

Ansiedade, baixa autoestima, perfeccionismo excessivo ou desmotivação podem ter um impacto tão significativo como dificuldades na aprendizagem. Ninguém consegue ter um bom desempenho se estiver com medo de falhar ou com receio de desiludir os pais. É importante escutar sem julgamento e validar emoções. Muitas vezes as crianças só precisam de sentir que alguém as ouviu e percebeu o que sentem. E acima de tudo, ouvirem muitas e muitas vezes que os pais não vão deixar de as amar caso alguma coisa corra mal. No entanto, quando nada disto é suficiente, pode ser importante procurar apoio especializado. O Serviço de Psicologia e Orientação do Agrupamento pode ser uma porta a abrir.


Em suma:

Como recordava o pediatra e psicanalista Donald Winnicott, as crianças não precisam de "pais perfeitos", mas de pais suficientemente bons. Esta ideia continua hoje mais atual do que nunca. Num tempo em que as redes sociais parecem estar constantemente a ditar novas regras sobre como educar, é importante lembrar que o desenvolvimento saudável de uma criança não depende de seguir todas as tendências ou aplicar todas as estratégias da moda. Depende, sobretudo, da presença, da disponibilidade emocional, da coerência e do interesse genuíno pela sua vida quotidiana. Conversar ao jantar, perguntar como correu o dia, ler uma história, ajudar a ultrapassar uma frustração ou celebrar uma pequena conquista são gestos simples que deixam marcas profundas.

Porque é no dia a dia, através de relações seguras e consistentes, que se constroem a confiança, a curiosidade, a autonomia e a vontade de aprender que nos acompanham ao longo da vida.


segunda-feira, 20 de abril de 2026

Antes de escolher, explora: o primeiro passo para um futuro com sentido

Jovem indeciso, escolha, orientação vocacional
Está quase a chegar o final do ano e com ele a primeira grande escolha: que caminho escolher para o ensino secundário. Escolher o caminho após o 9.º ano pode parecer assustador e, para muitos alunos, é mesmo o primeiro momento em que se confrontam com decisões “a sério”. Entre dúvidas, expectativas e alguma ansiedade, há uma verdade simples que faz toda a diferença: não é preciso ter todas as respostas, mas é essencial começar a explorar.

De facto, boas decisões assentam em boas informações. Ou seja, para escolheres o caminho mais adequado para ti, deves procurar conhecer o melhor possível as opções que tens. É exatamente isso que a orientação vocacional deve ser: um processo de descoberta, não de pressão.

Porque é tão importante conhecer cursos e profissões?

Muitos alunos escolhem uma área de estudos sem realmente saber o que ela implica. Conhecer cursos e profissões permite:

  • Tomar decisões mais conscientes
  • Evitar mudanças de percurso desnecessárias
  • Descobrir interesses que ainda não estavam claros
  • Ganhar motivação para estudar com um objetivo

Mais do que “escolher já”, trata-se de explorar possibilidades.


Guião prático: como explorar cursos e profissões

A seguir damos-te um passo a passo para te ajudar nessa exploração:

1. Começar por ti próprio/a

Além dos resultados dos testes de Orientação Vocacional que fizeste na tua Escola, com o Serviço de Psicologia, é  importante olhares para dentro:

  • O que gostas de fazer nos tempos livres?
  • Em que disciplinas te sentes mais confortável?
  • Preferes trabalhar com pessoas, números, ideias ou coisas práticas?

2. Explorar áreas de estudo

Depois, é altura de perceber que opções existem no ensino secundário e superior.

👉 Recursos:

Sugestão prática: escolhe 3 áreas diferentes e pesquisa:

  • Que profissões estão associadas?
  • Que cursos levam a essas profissões?
  • O que se estuda nesses cursos?

3. Conhecer profissões reais

Muitas vezes os alunos conhecem o nome da profissão, ou o que vêm numa série ou filme, mas não o verdadeiro dia a dia dessa profissão. Nada substitui o contacto direto com profissionais dessa área. Procura contactar com pessoas que exercem as profissões que te interessam  e faz-lhes algumas perguntas:

  • O que mais gosta no seu trabalho?
  • O que é mais difícil?
  • Como é o seu dia a dia? Que tarefas faz?
  • Se voltasse atrás, escolheria o mesmo?
jovem entrevista profissional, exploração vocacional


4. Experimentar sempre que possível

Aqui entra um dos pontos mais importantes:

🎓 Universidades de Verão / Universidade Júnior

Várias instituições organizam programas de verão para alunos do ensino básico e secundário, onde podem experimentar áreas científicas na prática.

👉 Exemplos:

Estas iniciativas permitem:

  • Contactar com diferentes áreas (medicina, engenharia, artes, etc.)
  • Conhecer o ambiente universitário
  • Tomar decisões com base em experiências reais.

5. Refletir e ajustar

Depois da exploração:

  • O que me surpreendeu?
  • O que gostei mais/menos?
  • Que áreas quero continuar a explorar?

👉 Importante: não é uma decisão final — é um processo em construção.


🌟 Para terminar


jovens a decidir caminho, orientação vocacional

Escolher um percurso não é encontrar “a resposta certa”, mas sim dar o próximo passo com mais informação e consciência. É definires o teu percurso, sabendo que ainda terás de tomar outras decisões pelo caminho. E para isso precisas de desvendar o mapa, de saber as alternativas e os caminhos que te levam ao destino.

A orientação vocacional é também um convite à curiosidade. Porque, no fundo, só podemos escolher bem aquilo que conhecemos.


quinta-feira, 25 de setembro de 2025

BEM-ESTAR NA ESCOLA

BEM-ESTAR NA ESCOLA




O bem-estar no local de trabalho precisa ser cuidado. Ao desejarmos um ambiente saudável, com vista à produtividade e melhoria contínua, importa estarmos envolvidos, podermos ser o apoio uns dos outros e caminharmos no mesmo sentido. Assumindo este compromisso (ainda no final do ano letivo anterior) a pensar em todos e no ano letivo que se inicia, surgiu a proposta de se realizar uma atividade de bem-estar em grupo.

Uma das formas de descontrairmos é a caminhar, sabemos que a luz do dia também só nos faz bem (para além da vitamina D) e o brincar/jogar eleva a vontade de fazer, estimula a criatividade e as afinidades entre as pessoas, facilitando a liderança e a resolução de conflitos... quando tudo isto é feito em grupo cresce a partilha de experiências e aumenta a segurança. 

Ao misturarmos todos estes elementos saiu um Peddy Paper... e com este, convidando todos os profissionais do agrupamento, quisemos começar o ano letivo de forma positiva e descontraída. Com cem inscrições, distribuídas por pequenos grupos, o passeio mostrou-se divertido pela cidade!


Percorreram-se ruas no Centro Histórico de Viseu... 

Cumpriram-se tarefas e houve interação com desconhecidos!

Descobriram-se curiosidades.

          Uniram-se esforços e pés e surgiram gargalhadas...






Terminámos num parque, até há pouco, escondido...

                      










Caminhar com pessoas amigas, no Centro Histórico duma Cidade...

- promove a interação social, o conhecimento mútuo, a comunicação...

- fortalece laços de amizade, cria memórias compartilhadas, o sentido de pertença...

- aumenta a sensação de bem-estar, contribui para a saúde e redução do stress...

- estimula o contato com o património histórico e cultural da cidade...

- faz-nos desfrutar do momento presente, do aqui e agora - nós, os outros e a cidade,

- melhora o humor e a inspiração...


Estes benefícios reverteram a favor duma equipa de trabalho que vai passar os próximos meses junta e que, por isso, se quer em colaboração, conectada, aberta e flexível. Capaz de enfrentar, junta, os desafios com que se irá deparar ao longo do ano letivo.


Esta é uma atividade que pode ser feita noutros contextos, nomeadamente no familiar. Para terem oportunidade de conhecer melhor a nossa cidade, num formato divertido, imprimam um dos flyers e sigam à descoberta! Esperamos que se divirtam e tragam emoções novas para casa!


Peddy Paper a)              Peddy Paper b)


   

Se quiserem saber mais, sobre ambientes de trabalho saudáveis e a importância da luminosidade para a saúde mental, deixamos a seguir dois links, que nos levam além da curiosidade, até um maior conhecimento destes temas. 

Ambientes de Trabalho Saudáveis

Luz e Saúde Mental


BOM ANO!





sexta-feira, 11 de abril de 2025

Há bullying nas Escolas de Viseu?


 

A pergunta parece provocatória, pois a resposta é fácil. Claro que há, sempre houve e continuará a haver. Infelizmente. 

De vez em quando este tema fica viral e, recentemente, por causa de uma série num canal de streaming voltou-se a falar de bullying. Neste caso de agressão através do telemóvel e das redes sociais com consequências muito dramáticas.

Então se há bullying, a pergunta correta é: há mais ou menos bullying em Viseu?

Um pouco de história (desculpa, mas é importante)

Desde 2015 que existe, em Viseu, algo quer não há em mais nenhum concelho de Portugal. Um Observatório do Bem-estar dos alunos! Sim, leste bem: em Viseu há um grupo de pessoas que se dedica a perceber como estão os seus alunos

E que são essas pessoas? Os/as psicólogos/as que trabalham nas Escolas do Concelho. Aqui encontras psicólogos de todas as idades, com muitas diferenças em termos pessoais e profissionais, mas que têm em comum a preocupação com os seus alunos. 

São ou não são pessoas especiais?? Claro que sim! 😉

Trabalham cada um nas suas Escolas, reúnem-se algumas vezes por ano em diferentes Escolas (com um grande agradecimento às Direções pela autorização para poderem levar a cabo algumas das atividades deste Projeto dentro do seu horário de trabalho) e trabalham muitas horas fora do seu horário a preparar atividades, a planear, a estudar e a cozinhar soluções para os problemas que encontram.

Ao longo destes quase 10 anos de existência este grupo fez vários inquéritos aos alunos (e em 2021 também aos profissionais da educação) acerca da forma como se sentem e vivem a Escola, quais as suas rotinas e como ocupam o seu tempo livre. Nos meses de maio e junho de 2024 foi feita mais uma recolha de dados. 

E que quantidade de dados foi recolhida!! Mais parecem estudo nacional, daqueles bem complicados! (Os psicólogos escolares de Viseu são muito bons no que fazem!)

E sabes o que mais impressiona? A constatação de que os alunos de Viseu não estão muito bem em termos de saúde mental. E no que toca ao bullying a coisa não está bonita:

O bullying aumentou, sobretudo no 1.º ciclo

Esta é uma notícia muito má: em 2016 havia 8,6% de alunos vítimas de bullying no 1.º ciclo e em 2024 passámos a ter 21,5%. E como nem só de vítimas vive o bullying, é importante referir que a taxa de agressores nos alunos do 1.º ciclo passou de 10% para 48,9% e de testemunhas passou de 14,4% para 26,8%.

Além disso, o número de alunos envolvidos no cyberbullying é, pelo menos, quatro vezes maior - aqui o problema é evidente em todos os ciclos. Repara no gráfico seguinte:


Percebe-se claramente a diferença entre os valores de 2018 - a taxa de vítimas variava entre 1,4% no 2.º ciclo e 4% no 3.º ciclo, e os de 2024 - com 10,1% de vítimas no Secundário e 18,6% no 3.º ciclo.

Podemos dizer que no geral aumentou o bullying nas Escolas de Viseu? Sim, infelizmente, podemos. 



Porquê? Porque é que isto está a acontecer? 


É uma excelente pergunta. Ainda não temos uma resposta exata, temos apenas hipóteses. 

Pensamos que os nossos alunos usam poucas estratégias de resolução de conflitos, percebemos que andam mais frustrados e mais zangados, damos conta que os pais andam com menos tempo e com menos paciência para lidar com os seus problemas e com os dos filhos, notamos que há mais dificuldade em comunicar e em interagir por parte dos alunos e por parte dos adultos. 

Ainda não temos uma explicação, mas sabemos que é preciso fazer alguma coisa. 
E este grupo de psicólogos continua a cozinhar coisas... temos muita vontade de ajudar, de contribuir para a mudança da Escola e para a melhoria do bem-estar dos alunos. Sim, porque é preciso estar bem para aprender bem!

"Pronto, já chega de más notícias! E as boas???"


Essas terão de ficar para outro dia! Volta aqui e verás mais notícias sobre o estado dos alunos de Viseu. Encontrarás mais más notícias e, com certeza, algumas boas notícias!!

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

HOJE É O DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL!

No dia 10 de outubro comemora-se o Dia Mundial da Saúde Mental, este ano, subordinado ao tema É tempo de priorizar a saúde mental no contexto de trabalho (World Federation for Mental Health). Este é um bom pretexto para pararmos e refletirmos melhor sobre como anda a nossa saúde mental.

"A saúde mental não é a simples ausência de doença ou enfermidade, mas um estado de completo bem-estar físico, mental e social, em que cada indivíduo tem consciência do seu próprio potencial, consegue lidar com os desafios normais da vida, consegue trabalhar de forma produtiva e frutífera e é capaz de contribuir para a sua comunidade." Esta é a definição indicada pela Organização Mundial de Saúde.

Estamos a priorizar o que é realmente importante ou, simplesmente, andamos ocupados com pequenos afazeres e esquecemo-nos de cuidar de nós?

A Saúde mental é essencial para o nosso equilíbrio, para estarmos bem e cuidarmos dos outros, para trabalharmos e aprendermos. Na Escola, é essencial para uma aprendizagem eficaz e o bem-estar mental dos alunos contribui para seu desempenho e sucesso académico

No nosso Agrupamento de Escolas, celebramos sempre este dia, com atividades de bem-estar ou outras que nos façam pensar sobre como nos sentimos, como cuidamos de nós e dos outros. 

A pensar em públicos específicos, partilhamos alguns vídeos alusivos ao tema das emoções:

Pré-Escolar https://www.youtube.com/watch?v=DKcvHIOR7u4

1º Ciclo https://www.youtube.com/watch?v=kzD-slnSvtE

2.º Ciclo https://www.youtube.com/watch?v=XrlU0GhgTAk&t=76s

3º Ciclo https://www.youtube.com/watch?v=00ndULm5aDE


A Saúde Mental pode ser comparada a uma floresta rica e diversificada, onde cada árvore simboliza um pensamento ou emoção. Algumas árvores são fortes, outras frágeis, e todas necessitam de cuidado e compreensão. Em momentos de ansiedade ou tristeza, é crucial lembrar que precisamos de espaço para crescer e que a “poda” de velhos padrões é fundamental. Conversar sobre os sentimentos é essencial para deixar a luz entrar, enquanto a prática da gratidão é uma forma de cultivar alegria. 

Porque devemos cuidar o melhor que podemos da nossa saúde mental, propomos-lhe, enquanto adulto, que promova, no seu dia-a-dia, atitudes/comportamentos que melhorem o seu bem-estar e o daqueles que o/a rodeiam: Falar sobre as suas emoções (as suas e as dos outros); Cuidar; Promover o autocuidado; Pedir e dar ajuda; Abraçar; Ouvir; Elogiar; Brincar; Exprimir gratidão; Desenvolver expectativas positivas. 

"A saúde mental é o jardim da alma; regue-o com amor e atenção para que floresça a paz.”



terça-feira, 17 de setembro de 2024

Guia para falhar na Escola (e na vida também...)

 Olá!!!

Já estávamos com saudades tuas, da azáfama nos corredores e do barulho das conversas!! 

As férias são boas, gostamos da falta de horários e de alguma monotonia. Mas adoramos voltar a ver os alunos, com as suas brincadeiras e conversas animadas!! 

E tu, estás pronto/a para mais um ano escolar? Esperamos que sim. 

Queremos que sejas feliz na Escola. 

Que aprendas coisas novas e gostes de aprender. 

Que tenhas amigos bons e solidários. 

Que cresças como ser humano. 

Que sejas boa pessoa e tenhas pessoas boas ao teu lado.

Na Escola aprendemos muitas coisas importantes, mas acima de tudo aprendemos a relacionarmo-nos com os outros, a respeitar regras e a defender os nossos direitos, a enfrentar desafios e a lidar com as dificuldades, a superar momentos maus e a partilhar vitórias.


Para te ajudar a ter sucesso na Escola (e também na vida) hoje trazemos-te uma lista de coisas que deves evitar. Senão vais ter coisas coisas más, pois não vais ter amigos nem boas notas!

O que fazer para falhar na Escola:




1- Começa por chegar tarde à Escola e às aulas.

Assim vais perder uma parte importante da aula e os professores vão logo perceber que não estás com vontade de aprender.

2- Deixa o material escolar em casa.

Se não trouxeres livros, cadernos nem material de escrita vais passar as aulas aborrecido e não vais aprender nada.  Além disso vais estar a incomodar os teus colegas a pedir o que precisas e eles não vão gostar nada de terem de te emprestar as suas coisas em todas as aulas.

3- Não tomes o pequeno almoço.

De certeza que é mais rápido saíres de casa sem comer e assim o teu cérebro fica cansado mais depressa e sem capacidade de concentração. É a melhor maneira de não aprenderes nada.

4- Nas aulas fala com os teus colegas sobre coisas inúteis e em voz alta.

É importante perturbares as aulas e distraíres os teus colegas. Assim ninguém aprende e os professores vão ralhar contigo e com eles.

5- Nunca cumprimentes ninguém.

Nunca digas "Olá!", nem "Bom dia". Assim as pessoas vão ficar a saber que és antipático e ninguém vai querer ser teu amigo.

6- Não almoces na Escola. Aliás, não almoces.

A melhor forma de perdermos energia é não comer. Assim o teu corpo fica cansado mais depressa, vais ficar com menos paciência e nervoso/a e ninguém vai querer conversar contigo. Se fores comer ao refeitório ainda corres o risco de conversar com alguém e fazer amigos. Foge desse local!

7- Goza com os teus colegas e prega-lhes partidas, como esconder a mochila, empurrar ou passar rasteiras.

Esta é a melhor forma de não fazeres amigos. No início até podem achar piada, mas depois vão começar a achar ridículo e vão querer estar longe de ti.

8- Nunca fales com ninguém e esconde-te na casa de banho.

Se fizeres isso ninguém te vê e não corres o risco de alguém querer conversar contigo ou te ajudar a sentir melhor na Escola.


Mas se fizeres o contrário do que aqui está, se procurares cumprir as tarefas, se te esforçares por estar atento/a e por ser um bom colega, quase de certeza que vais ter boas notas e encontrar bons amigos!


Desejamos-te um ano escolar muito bom, com muitas coisas boas e superação rápida das menos boas!

A equipa do Serviço de Psicologia e Orientação


terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Ansiedade

Emoções

Nascemos para sentir. As emoções fazem parte da nossa vida. Quando experienciamos emoções agradáveis e expansivas, como a alegria ou o amor, sentimo-nos bem mas quando se trata de emoções desagradáveis ou difíceis como o medo a ira, ou a dor, a nossa aceitação muda. 

Todas as emoções que sentimos, agradáveis ou desagradáveis, existem porque têm uma função. Por exemplo, a alegria mostra-me que eu aprecio determinada situação ou que gosto do gesto que alguém teve comigo. A tristeza diz-me para ficar sozinho/a, que não gosto quando falam comigo de uma determinada maneira. O medo protege-me e faz-me fugir ou correr (quando, por exemplo atravesso a estrada e vejo um carro na minha direção) ou ficar imóvel (se vir um cão grande na rua que seja ameaçador). Mas isto da função das emoções fica para outra publicação... hoje vamos falar de ANSIEDADE.


Medo ou ansiedade?

Usamos muitas vezes  medo e ansiedade como sinónimos, mas, na verdade,  não o são e parece importante entendermos a diferença.

O medo prepara-nos, então, para uma reação ao que temos, de facto perante nós e a ansiedade prepara-nos para uma reação ao que poderemos ou não ter perante nós. Ou seja o medo é uma resposta básica e automática a um objeto, situação ou circunstância especifica que envolve um reconhecimento de real ou potencial perigo. Por contraste, a ansiedade é muito mais prolongada. É um estado emocional complexo que muitas vezes é desencadeado por um medo inicial. 


Vejamos um exemplo:

Imagine que tem um alarme contra intrusos em casa. O medo é o alarme que dispara quando o intruso entra.  A ansiedade é o mesmo alarme, mas a disparar quando uma mosca passa. 

o medo prepara-nos para sobreviver

a ansiedade é uma experiência emocional de sensibilidade a um potencial perigo


A ansiedade pode ser entendida como um estado de receio motivado por fatores como antecipação de uma situação potencialmente desagradável, a perceção de que se está ou estará em perigo ou a ser ameaçado/a ou vulnerável ao ambiente e/ou pessoas

A ansiedade é uma emoção natural e universal, que todos nós conhecemos e sentimos, cada um à sua maneira.


  Como sentimos ansiedade?


A ansiedade pode desencadear um conjunto de reações físicas e emocionais a diferentes estímulos internos e/ou externos. 


IMPORTANTE!

Ansiedade é natural. Sentir ansiedade é normal! 

É expectável que, perante um teste, uma apresentação oral, um momento de avaliação, os nossos alunos se sintam ansiosos. A ansiedade é normal e está presente no nosso dia-a-dia em diversas situações

Todos sentimos ansiedade e até pode ser útil nalgumas situações, porque nos deixa mais alerta e focados.




Quando a ansiedade é demasiada, aí sim: torna-se um problema. Quando é demasiado intensa, frequente e interfere com o nosso dia-a-dia, é um problema de saúde psicológica, causando mau estar, sofrimento e trazendo consequências negativas para a nossa vida. Neste momento devemos procurar ajuda psicológica. 




Como funciona a ansiedade?


É mais ou menos assim que funciona a nossa ansiedade. O pico da curva representa o máximo de ansiedade que conseguimos sentir. Naquele ponto sentimos o coração  a bater muito depressa, ficamos zonzos/as, com a sensação de que vamos desmaiar. O nosso corpo não aguenta muito tempo no pico máximo de ansiedade (apenas alguns minutos) e, por isso, acaba por sozinho conseguir acalmar-se e fazer com que a curva diminua, voltando assim ao seu estando normal... 
O nosso corpo é maravilhoso e surpreendente, não é? 

Claro que há estratégias que nos acalmam ou que previnem a chegada ao pico máximo de ansiedade. 


Reconhecer as situações que nos desencadeiam ansiedade, pode ajudar a perceber melhor como nos sentimos e como o nosso corpo reage. Quando somos conscientes das nossas emoções, mais facilmente as gerimos e controlamos os nossos comportamentos.


a minha régua da ansiedade

A minha régua da ansiedade é uma atividade que pode ser feita em família. Cada um irá situar na régua as situações do dia-a-dia, rotineiras e outras, numa escala de 0 a 10. O 0 significa 0 ansiedade e o 10 é o extremo e representa o nosso nível máximo de ansiedade.

Alguns exemplos:

Ir à escola.

Ter um teste.

Quando o/a Professor/a me faz um pergunta. 

Fazer um trabalho de grupo. 

Preparar uma refeição em casa. 

Ir a uma loja. 

Durante uma discussão. 

...




bola de praia

Os meus pensamentos e aminha ansiedade podem ser uma bola de praia

Uma vida plena e significativa vem acompanhada de emoções e de sensações físicas como felicidade e entusiasmo, mas também de medo e dor. Evitar pensamentos e sentimentos poderá não ser a melhor estratégia a curto e longo prazo. Redirecionar a nossa atenção e energia para o que realmente importa e nos faz sentir bem, sim! 


selecionar traduzir para português


para terminar e refletir


"Um velho chefe de uma tribo estava a ter uma conversa com os seus netos acerca da vida. Dizia-lhes: -Uma velha luta entre dois lobos está a ter lugar dentro de mim. Um dos lobos é a maldade, o temor, a ira, a inveja, a dor e rancor, a avareza, a arrogância, a culpa, o ressentimento, a inferioridade, as mentiras, o orgulho, a competição, a superioridade, a ansiedade. O outro é bondade, alegria, paz, amor, esperança, serenidade, humildade, doçura, generosidade, benevolência, amizade, empatia, verdade, compaixão e fé. Esta mesma luta ocorre continuamente dentro de vocês e dentro de todos os seres da terra. Os jovens ficaram pensativos, e um deles perguntou ao seu avô: - Qual dos lobos irá ganhar?"
O velho chefe respondeu simplesmente: - Aquele que escolheres alimentar".

Retirado de Mindfulness na Educação: dou-me conta que existo, de Vanda Perestrelo.