No dia 10 de outubro celebra-se, em todo o mundo, o dia da Saúde Mental.
Surgiu em 1992, por iniciativa da Federação Mundial de Saúde Mental, com o objetivo de aumentar a consciencialização pública sobre questões de saúde mental em todo o mundo e combater o estigma social.
O tema deste ano é «Saúde mental em contextos de emergência humanitária». Pretende-se destacar a necessidade urgente de apoiar a saúde mental e as necessidades psicossociais das pessoas afetadas por emergências humanitárias. É necessário intensificar os esforços para que a saúde mental seja valorizada, protegida e acessível a todos, especialmente em face da adversidade.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, crises como desastres naturais, conflitos e emergências de saúde pública causam sofrimento emocional, com uma em cada cinco pessoas a sofrer de um problema de saúde mental. Apoiar o bem-estar mental das pessoas durante essas crises não é apenas importante - salva vidas, dá às pessoas a força para lidar com a situação, o espaço para se curarem, recuperarem e reconstruírem-se, não só como indivíduos, mas também como comunidades.
Para saber mais sobre esta campanha visite o site da Organização Mundial de Saúde.
No contexto atual com conflito armado em várias zonas do planeta, a questão da saúde mental ganha outra dimensão. No entanto, este é um problema transversal a diferentes contextos políticos, culturais, sociais e económicos.
O relatório da Organização Mundial da Saúde (Mental Health Atlas 2024), que faz um levantamento global dos sistemas de saúde mental em 144 países, aponta para a existência de 1 bilião de pessoas no mundo que vivem com transtornos mentais, como ansiedade e depressão. E refere que estes transtornos representam a segunda causa principal de incapacidade a longo prazo.
Portugal apresenta uma alta prevalência de transtornos mentais, estimando-se que mais de 2,25 milhões de pessoas foram afetadas em 2019, representando 22% da população. Isso é superior à média da União Europeia de 16,7%.
Ou seja: é um tema urgente, que toca de perto quase 1/4 da população portuguesa e para o qual devem ser encontradas políticas diferentes, mais focadas na prevenção do que na remediação.
Até porque a saúde mental e a saúde física andam de mãos dadas: vários estudos mostram a relação entre problemas de saúde física e de saúde mental, sendo que a sua relação é bidirecional, ou seja, problemas numa podem influenciar a outra de forma recíproca.
Em Espanha, um estudo de 2024 mostrou que uma em cada três consultas nos cuidados de saúde primários está relacionada com questões de saúde mental, como ansiedade, depressão ou stress.
Ou seja, muitas vezes, um problema de saúde mental pode evoluir para uma doença física, com comprometimento de várias áreas do funcionamento da vida da pessoa, incapacitando-a para interagir de forma saudável com os outros e para o trabalho, levando à perda de autonomia e de funcionalidade, ao mau-estar e à infelicidade.
Então o que podemos fazer? o papel da prevenção é fundamental em tudo. Já diziam os antigos: mais vale prevenir que remediar!!
Da mesma forma que sabemos os cuidados que temos de ter com a nossa alimentação, com o número de passos que temos de dar para estarmos ativos, com a quantidade de água que devemos ingerir e as horas de sono que são necessárias para andarmos bem, então deveríamos registar na nossa agenda algumas regras essenciais para cuidar da nossa saúde mental:
assegurar um sono adequado e regular, fundamental para os processos de consolidação da memória e regulação emocional;
cultivar relações sociais de qualidade, reconhecidas como fator protetor contra a depressão e a ansiedade;
praticar regularmente atividade física, que estimula a libertação de neurotransmissores associados ao bem-estar, como a serotonina e a dopamina;
integrar na rotina práticas de atenção plena (mindfulness) e respiração consciente, que reduzem a reatividade ao stress e fortalecem a autorregulação emocional;
manter um equilíbrio entre as exigências profissionais e o tempo de lazer, prevenindo o esgotamento psicológico;
expor-se à luz natural e ao contacto com a natureza, promotores de estabilidade do humor; e procurar apoio psicológico quando surgem sinais persistentes de sofrimento emocional.
Estas práticas, sustentadas por evidência científica nas áreas da psicologia, neurociência e medicina comportamental, contribuem para o fortalecimento da resiliência psicológica, da neuroplasticidade e do equilíbrio entre corpo e mente.
Muitas vezes acumulamos coisas de que não precisamos nas nossas pastas e carteiras, fazendo um volume incómodo e peso prejudicial à nossa coluna. De vez em quando temos de fazer uma limpeza, deitando papeis, talões e outros objetos desnecessários para o lixo. Guardamos algumas coisas noutro local que nos podem ser úteis e continuamos mais leves, mais limpos e mais organizados. Também a nossa vida emocional pode trazer um acumular de coisas desnecessárias, pesadas e incómodas. Devemos criar rotinas de observação do que transportamos a mais e de arrumação ou limpeza desses excessos.
Nascemos para sentir. As emoções fazem parte da nossa vida. Quando experienciamos emoções agradáveis e expansivas, como a alegria ou o amor, sentimo-nos bem mas quando se trata de emoções desagradáveis ou difíceis como o medo a ira, ou a dor, a nossa aceitação muda.
Todas as emoções que sentimos, agradáveis ou desagradáveis, existem porque têm uma função. Por exemplo, a alegria mostra-me que eu aprecio determinada situação ou que gosto do gesto que alguém teve comigo. A tristeza diz-me para ficar sozinho/a, que não gosto quando falam comigo de uma determinada maneira. O medo protege-me e faz-me fugir ou correr (quando, por exemplo atravesso a estrada e vejo um carro na minha direção) ou ficar imóvel (se vir um cão grande na rua que seja ameaçador). Mas isto da função das emoções fica para outra publicação... hoje vamos falar de ANSIEDADE.
Medo ou ansiedade?
Usamos muitas vezes medo e ansiedade como sinónimos, mas, na verdade, não o são e parece importante entendermos a diferença.
O medo prepara-nos, então, para uma reação ao que temos, de facto perante nós e a ansiedade prepara-nos para uma reação ao que poderemos ou não ter perante nós. Ou seja o medo é uma resposta básica e automática a um objeto, situação ou circunstância especifica que envolve um reconhecimento de real ou potencial perigo. Por contraste, a ansiedade é muito mais prolongada. É um estado emocional complexo que muitas vezes é desencadeado por um medo inicial.
Vejamos um exemplo:
Imagine que tem um alarme contra intrusos em casa. O medo é o alarme que dispara quando o intruso entra. A ansiedade é o mesmo alarme, mas a disparar quando uma mosca passa.
o medo prepara-nos para sobreviver
a ansiedade é uma experiência emocional de sensibilidade a um potencial perigo
A ansiedade pode ser entendida como um estado de receio motivado por fatores como antecipação de uma situação potencialmente desagradável, a perceção de que se está ou estará em perigo ou a ser ameaçado/a ou vulnerável ao ambiente e/ou pessoas.
A ansiedade é uma emoção natural e universal, que todos nós conhecemos e sentimos, cada um à sua maneira.
Como sentimos ansiedade?
A ansiedade pode desencadear um conjunto de reações físicas e emocionais a diferentes estímulos internos e/ou externos.
IMPORTANTE!
Ansiedade é natural. Sentir ansiedade é normal!
É expectável que, perante um teste, uma apresentação oral, um momento de avaliação, os nossos alunos se sintam ansiosos. A ansiedade é normal e está presente no nosso dia-a-dia em diversas situações.
Todos sentimos ansiedade e até pode ser útil nalgumas situações, porque nos deixa mais alerta e focados.
Quando a ansiedade é demasiada, aí sim: torna-se um problema. Quando é demasiado intensa,
frequente e interfere com o nosso dia-a-dia, é um
problema de saúde psicológica, causando mau estar, sofrimento e trazendo consequências negativas para a nossa vida. Neste momento devemos procurar ajuda psicológica.
Como funciona a ansiedade?
É mais ou menos assim que funciona a nossa ansiedade. O pico da curva representa o máximo de ansiedade que conseguimos sentir. Naquele ponto sentimos o coração a bater muito depressa, ficamos zonzos/as, com a sensação de que vamos desmaiar. O nosso corpo não aguenta muito tempo no pico máximo de ansiedade (apenas alguns minutos) e, por isso, acaba por sozinho conseguir acalmar-se e fazer com que a curva diminua, voltando assim ao seu estando normal...
O nosso corpo é maravilhoso e surpreendente, não é?
Claro que há estratégias que nos acalmam ou que previnem a chegada ao pico máximo de ansiedade.
Reconhecer as situações que nos desencadeiam ansiedade, pode ajudar a perceber melhor como nos sentimos e como o nosso corpo reage. Quando somos conscientes das nossas emoções, mais facilmente as gerimos e controlamos os nossos comportamentos.
a minha régua da ansiedade
A minha régua da ansiedade é uma atividade que pode ser feita em família. Cada um irá situar na régua as situações do dia-a-dia, rotineiras e outras, numa escala de 0 a 10. O 0 significa 0 ansiedade e o 10 é o extremo e representa o nosso nível máximo de ansiedade.
Alguns exemplos:
Ir à escola.
Ter um teste.
Quando o/a Professor/a me faz um pergunta.
Fazer um trabalho de grupo.
Preparar uma refeição em casa.
Ir a uma loja.
Durante uma discussão.
...
bola de praia
Os meus pensamentos e aminha ansiedade podem ser uma bola de praia
Uma vida plena e significativa vem acompanhada de emoções e de sensações físicas como felicidade e entusiasmo, mas também de medo e dor. Evitar pensamentos e sentimentos poderá não ser a melhor estratégia a curto e longo prazo. Redirecionar a nossa atenção e energia para o que realmente importa e nos faz sentir bem, sim!
selecionar traduzir para português
para terminar e refletir
"Um velho chefe de uma tribo estava a ter uma conversa com os seus netos acerca da vida. Dizia-lhes:
-Uma velha luta entre dois lobos está a ter lugar dentro de mim. Um dos lobos é a maldade, o temor, a ira, a inveja, a dor e rancor, a avareza, a arrogância, a culpa, o ressentimento, a inferioridade, as mentiras, o orgulho, a competição, a superioridade, a ansiedade. O outro é bondade, alegria, paz, amor, esperança, serenidade, humildade, doçura, generosidade, benevolência, amizade, empatia, verdade, compaixão e fé. Esta mesma luta ocorre continuamente dentro de vocês e dentro de todos os seres da terra.
Os jovens ficaram pensativos, e um deles perguntou ao seu avô:
- Qual dos lobos irá ganhar?"
O velho chefe respondeu simplesmente:
- Aquele que escolheres alimentar".
Retirado de Mindfulness na Educação: dou-me conta que existo, de Vanda Perestrelo.
A Saúde Mental é cada vez mais mediatizada e falada por todos, porém a consciencialização da sua importância continua a ser um desafio a desbravar. Explorar a saúde mental na escola é crucial para o bem-estar dos alunos e por isso o tentamos fazer de forma regular.
No mês de outubro, tendo como pano de fundo o dia Mundial da Saúde Mental – 10 de outubro – o Agrupamento desenvolve atividades específicas sobre o tema para alunos e adultos, no entanto, o tema não se esgota neste mês, sendo transversal e contínuo durante todo o ano letivo. Preocupamo-nos com todos e temos o objetivo de despertar consciências e promover a saúde mental da comunidade escolar.
Um dos aspectos importantes na promoção da saúde mental entre os jovens é o relacionamento entre pares e, associado a este, aprevenção e o combate ao bullying e cyberbullying - uma missão de TODOS no ambiente escolar.
O bullying e o cyberbullying afetam milhares de jovens em todo o mundo, provocando uma série de prejuízos que interferem diretamente na autoestima e no rendimento académico, bem como em muitos outros aspectos da vida das crianças e jovens em idade escolar.
O bullying corresponde a "todas as atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudante contra outro(s), causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder" (Lopes Neto, 2005, p.165 as cited in Silva et al, 2015).
O bullying pode ser definido como todo o comportamento agressivo em contexto escolar - quando uma pessoa é gozada, empurrada, ameaçada, posta de parte do seu grupo de amigos, insultada por parte de outros colegas, perseguida e até humilhada. Considera-se que o comportamento é bullying quando:
- é realizado de forma intencional (há a intenção de causar dano)
- é repetido (não é apenas um só episódio),
- existe uma assimetria de poder (o que faz com que a vitima tenha dificuldade em se defender) .
Promover a aceitação - quando os alunos se aceitam uns aos outros, os comportamentos
de bullying diminuem.
Estabelecer regras - relacionadas com o bullying e com o
comportamento a ter. As regras devem comunicar, de forma clara, uma atitude de tolerância
zero para com o bullying e a expectativa de um comportamento positivo
por parte dos alunos.
Criar empatia - oua capacidade de identificação e de compreensão dos sentimentos, da
situação, dos motivos e das preocupações de outra pessoa. O importante é desenvolver empatia em relação às pessoas que são muito
diferentes de nós – nas suas necessidades, experiências, pontos de vista,
circunstâncias da vida, crenças, etnia ou cultura, capacidades, talentos...
Premiar a cooperação - valorizar mais o esforço e empenho que o resultado. Elogiar os alunos pela sua disponibilidade
para se darem bem, durante o trabalho de grupo, e por concederem o devido valor
às capacidades únicas de cada um dos companheiros. As atividades de
grupo, podem encorajar os sentimentos de unidade e de aceitação. Quando os alunos cooperam, todos ganham.
Os alunos que participam em atividades de grupo
apresentam mais probabilidades de terem sentimentos positivos acerca das outras
pessoas; desenvolvem menos preconceitos ou repensam as inclinações ou
preconceitos que já têm.
Encorajar atos isolados de amabilidade - atos isolados de amabilidade são formas comprovadas e poderosas de criar um ambiente mais positivo.
Elogiar - durante o decorrer do dia, podemos aproveitar todas as oportunidades para fazer um comentário positivo aos outros, nomeadamente aos alunos. Com o nosso elogio damos o exemplo e podemos incentivar os outros a fazê-lo.
Usar o humor- o humor é um ótimo instrumento para fazer alguém sentir-se bem-vindo, aceite e
valorizado.
Ser bom ouvinte - a primeira e mais importante coisa que o adulto pode e deve fazer
é ouvir a criança/adolescente.
Encorajar a atitude positiva - como enfatizar o que é bom na vida de cada um.
Promover a reflexão sobre o tema.
ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO
Agir de imediato e de forma adequada a relatos de bullying. Confiar no que está a ser relatado.
A vítima precisa ter a
certeza de que o adulto vai fazer alguma coisa, uma vez que eles estão a
correr um risco ao denunciarem situações de bullying, caso contrário, a confiança que a criança/adolescente tem no adulto ficará comprometida ou até destruída.
Intervir imediatamente quando se é testemunha de bullying. O professor tem a responsabilidade de intervir, de
imediato, perante qualquer caso de bullying de que seja testemunha.
Desta forma, o professor torna claro que não será tolerante com
o bullying, que atuará perante situações similares em vez de ignorar, e
encoraja outras vítimas e testemunhas a falarem do bullying.
Dar o exemplo no modo como atua, escutando com atenção o sucedido, refletindo com calma no que se irá fazer a seguir.
Para o 1º ciclo
A pensar especificamente nos Pais,
deixamos um link da Ordem dos Psicólogos Portugueses, sobre comofalar sobre o bullying com os filhos. https://escolasaudavelmente.pt/pais/comunicar-com-os-filhos/falar-sobre-o-bullying
Para além destas sugestões, se queremos ambientes e relações tranquilas e positivas, evitar dizer:
– Se eles te batem, bate-lhes também! – Ignora esses ataques!
– Evita esses colegas! – Isso são coisas de criança…
– Tens de saber defender-te! – Precisas de ser forte!
– Estás a fazer um drama do caso… – Isso é uma fase, isso passa!
PROPOSTAS DE ATIVIDADESque podem ser desenvolvidas com as crianças e adolescentes, em em sala de aula, ou outro espaço apropriado.
Pedro, Marco e Alice
Sugerem-se três links de vídeos acerca do bullying tendo
em conta três perspetivas diferentes: a da vítima, do agressor e da
testemunha. No final do visionamento dos vídeos, pode debater-se, em grupo ou
individualmente, acerca do papel de cada um dos intervenientes, o que sentiriam
se fossem estas personagens e que estratégias poderiam utilizar.
História da Alice, Observadora
História do Marco, Agressor
História do Pedro, a Vítima
1.Algumas conclusões que podem ser retiradas dos filmes e do debate em grupo
Comportamento
mais eficaz
Comportamento ineficaz
Vítima
Contar a um adulto
significativo (pai, professor, funcionário, diretor, psicólogo);
Aproximar-se de outras
crianças com que se sinta melhor;
Evitar ficar sozinho nos
intervalos;
Ser assertivo nas primeiras
provocações ou ameaças;
Responder agressivamente
(excetuando situações de defesa);
Vingar-se;
Isolar-se;
Não contar;
Faltar às aulas;
Testemunha
Contar a um adulto
significativo (pai, professor, funcionário, psicólogo);
Ajudar a vítima, através da
companhia;
Ignorar;
Assistir sem fazer nada;
Tomar partido do agressor;
Agressor
Parar;
Conversar com adultos sobre a
sua agressividade;
Assumir perante o grupo;
Pedir ajuda para gerir a
raiva;
Ocupar os intervalos comatividades físicas e/ou úteis;
Parar os comportamentos
agressivos físicos, mas continuar com ameaças e humilhações verbais;
Dinâmica da Folha Amarrotada
Esta dinâmica pode ser trabalhada em grupo ou individualmente.
Dar uma folha a cada criança e pedir que a amassem até ficar como uma bola,
que a pisem, que chamem nome, voltar a amassar. Atenção: não podem rasgar!
Depois é pedido que voltem a colocar a folha como ela estava antes, pedindo
desculpa. Perguntar às crianças o que notam na folha. Salientar as respostas
que indicam que a folha continua com marcas; que não ficará igual ao que estava
no início. Por mais que se tente a folha não voltará a ficar lisa como antes.
Em conclusão, a folha representa o coração de cada criança e que por mais que
tentemos remediar ou pedir desculpa, o coração fica como a folha de papel em
que é difícil apagar as marcas. Assim, cada vez que insultamos um colega,
magoamos, ou irritamos, a impressão que deixamos nas pessoas é impossível de
apagar. Quando magoamos com as nossas ações, ou com as nossas palavras, mesmo
que tentemos remediar e pedir desculpas, não conseguimos muitas vezes apagar as
mágoas nem concertar os corações que foram amassados. Pedir desculpas é
importante e devemos sempre fazê-lo, mas temos sempre a opção de pensar antes
de “amarrotar uma folha” ou um coração.
“Um mais um é sempre mais do que dois”
sexta-feira, 14 de julho de 2023
Memórias, impressas entre as páginas da minha mente
Memórias, adoçadas através dos tempos tal como o vinho
Memórias, memórias, doces memórias...
Música Memories - Elvis Presley
M¨E¨M¨Ó¨R¨I¨A
nome feminino
1 função geral de conservação de experiência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lembranças; tomada de consciência do passado como tal
2 lembrança; recordação
3 momento comemorativo
4 nome; fama.
A nossa memória funciona como um processo de arquivamento seletivo das informações e pode ser evocado quando queremos ou necessitamos. Por vezes acontece de forma consciente outras vezes de forma inconsciente.
Acredita-se que existam diferentes tipos de memórias: memória de curto prazo e de longo prazo, memória de trabalho, episódica ou até autobiográfica.
A memória autobiográfica refere-se às memórias que formam a nossa história de vida. Estas memórias são especificas e duradouras. Este tipo de memória tem uma função social, uma vez que permite a partilha de algo sobre nós ou sobre o nosso passado com as outras pessoas.
Façamos das antigas memórias as grandes armas da esperança. E tiremos das doces lembranças a matéria-prima para novas histórias!Lucas Ferreira
DESAFIO
Se pudesse associar uma imagem, real ou imaginária, à sua infância qual é que seria?
...Pense nessa imagem...
E se agora lhe pedíssemos para recordar um cheiro da sua infância?
😍😏😊Que emoções estas recordações lhe trazem?😀😰😋😌
... o maior património é o mundo dos afetos...
(in cartaz da atividade)
O ser humano tem a excelente capacidade de reter na memória acontecimentos ou situações que são gravadas através dos sentidos: através da nossa visão, do nosso olfato, audição, paladar e até do tato.
À semelhança do que sugerimos há umas linhas acima, pedimos aos nossos Educadores - Professores, Assistentes Operacionais, Pais e Mães que, no dia do Agrupamento, escolhessem uma imagem que as remetesse para a a Infância.
A medo, com receio da atividade, todos foram surpreendidos.. Pela atividade ou pela capacidade de recordarem algo que parecia estar escondido e bem guardado. Alguns sorriram, outros soltaram gargalhadas, houve quem manifestasse saudade e tranquilidade. No final, registavam no painel uma frase ou reflexão.
...A felicidade de viver, brincar e criar memórias que ficam para sempre...
(in cartaz da atividade)
A verdade é que, na nossa memória, aquilo que recordamos da nossa infância aparece-nos em imagens, em emoções ou em sensações e sempre relacionadas com os outros, com as relações que estabelecemos com os outros (ou com a falta destas).
Os avós, o cheiro dos cozinhados da mãe, os verões em família... ou uma infância mais solitária.
...Memórias de uma bela infância propagam-se pela vida fora...
(in cartaz da atividade)
Somos seres sociais!
O nosso dia a dia, a nossa rotina e até no descanso e lazer cruzamo-nos com os outros e estabelecemos ligações com pessoas conhecidas ou até então desconhecidas.
...Não percas tempo com futilidades. Aproveita todos os momentos únicos. Diz! Faz! Tudo o que te faça feliz...
Assim, as nossas memórias, parte de nós, não são exceção e alimentam-se da relação com os outros, do convívio, da presença.
...VERÃO. FELICIDADE. FAMÍLIA. ALEGRIA. Bons momentos de descanso e de boas energias...
(in cartaz da atividade)
... o Presente é o PRESENTE que a vida nos dá!...
(in cartaz da atividade)
Aproveite estas férias para criar novas memórias
Passar tempo com que mais gosta
Desfrutar
Somos anjos de uma asa só,
precisamos de abraçar os outros para ter a segunda asa.
Comunicamos através da Arte. Mas a arte é muito mais...
Arteé diversão, criação eexpressão de ideias.
A arte é comunicaçãoque exprime eacorda emoções.
O termo - arte - vem do latim ars que significa habilidade ou ofício. Mas este conceito é muito mais amplo...Desde os tempos mais remotos que a arte incentiva a reflexão, desperta a consciência coletiva e individual, provocando em nós ideias ainda não pensadas,transformando-nos.
Da Música à Dançae Coreografia, da Pintura e da Escultura ao Teatro, da Literatura ao Cinema, as formas de arte dificilmente se esgotam. E enquanto estas que referimos integram o Manifesto das Sete Artes, de Ricciotto Canudo (1879-1923), hoje o quadro é maior e inclui outras linguagens artísticas como a fotografia e a arte digital.
A arte pode ser uma forma de expressão emocional: muitos artistas usam a arte como forma de desenvolver as suas emoções e revelar sentimentos complexos que podem ser difíceis de expressar verbalmente. A criação artística pode servir como uma válvula de escape saudável e criativa para exteriorizarmos sentimentos desagradáveis, ajudando a reduzir o stress e a ansiedade.
A arte tem várias funções e uma delas é a terapêutica. Sim.
Arte e Saúde Mental gostam de andar de mãos dadas!
A terapia pela arte é uma forma de terapia que envolve o uso da arte como um meio de comunicação terapêutica, para ajudar pessoas com uma variedade de problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, depressão e outros transtornos psíquicos.
Em Portugal, a Arte-Terapia(Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia) é reconhecida como a terapia que mais privilegia a arte no tratamento de várias problemáticas. Nesta, a criatividade é essencial para promover a mudança e o reequilíbrio psicológico. No entanto, para além da Arte-Terapia, outros tipos de terapias recorrem facilmente à arte como ferramenta que promove a expressão emocional e até a catarse, ou seja, a libertação de algo reprimido, que nos permite consciencializar o que até ao momento nos era inacessível e que pode ser fundamental para a mudança.
Através da música, literatura, dramatização, pintura ou dança o processo terapêutico é facilitado com vista à auto descoberta, à resolução e à mudança psíquica.
Musicoterapia...Dança Terapia...
No campo da Saúde Mental o poder da arte vai ainda além dos processos terapêuticos, pois esta é considerada uma ferramenta valiosa para a promoção da saúde mental e do bem-estar. Seja através da criação artística ou do simples ato de apreciar a arte, a arte oferece muitos benefícios a quem ela está ligada.
Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra como o envolvimento com a arte pode ser proveitoso para a saúde física e mental das populações em todas as idades. Desde o nascimento até o fim da vida, a arte pode influenciar a saúde de forma positiva.
Como exemplo, o relatório diz que crianças pequenas com pais que leem histórias antes de dormir descansam mais durante a noite e têm melhor concentração na escola.
Entre os adolescentes que vivem em áreas urbanas, a educação com base na dramaturgia pode ajudar a tomar decisões responsáveis, melhorar o bem-estar e reduzir a exposição à violência. Mais tarde na vida, a música pode apoiar a cognição em pessoas com demência, sendo que a prática do canto melhora a atenção,a memória episódica e a função executiva.(in Estudo da OMS mostra que a arte pode fazer bem à saúde | ONU News)
Criar arte pode ser uma fonte de satisfação pessoal e de realização, contribuindo para uma melhorauto estima e confiançaprópria.
A resiliênciapode ser outra habilidade desenvolvida através do processo criativo, que muitas vezes pode ser deveras desafiante, levando à tentativa e erro.
A Arte pode também ser especialmente útil para as pessoas que têm dificuldade em comunicar verbalmente, sendo uma valiosa fonte de expressão não verbal.
Para além do campo da saúde, a arte pode também integrar outras áreas, como é o caso da educação e da aprendizagem. Nesta área, há também evidências científicas sobre os benefícios daeducação pela arte.
A estimulação da criatividade, da imaginação e sensibilidade promove o aprimoramento da comunicação, do pensamento crítico e da resolução de problemas, mas também da colaboração e inclusão.
Através da prática artística, os alunos aprendem a observar e interpretar o mundo de uma forma mais profunda e significativa, tornando-se maisconscientes de si mesmos e dos outros.Aprendem a experimentar, a arriscar e a explorar novas possibilidades, o que ajuda a desenvolver a capacidade de inovar e de encontrar soluções criativas para os desafios que enfrentam.
A arte também é uma forma de colaboração, que envolve a troca de ideias, a partilha de recursos e a cooperação entre os indivíduos. Ao trabalhar em projetos artísticos em grupo, os alunos aprendem aouvir e a respeitar as opiniões dos outros, a contribuir para o sucesso do grupo e a resolver conflitos de forma construtiva.
Todas estas competências são fundamentais para o sucesso em qualquer área da vida, e é por isso que a arte ganha tanta importância na educação.
Sabendo disto, este ano, o nosso Agrupamento aderiu aoPano Nacional das Artes(pna.gov.pt)com o intuito de promover projetos artísticos e educação artística, de forma a que a arte e a cultura possam conviver e existir no palco escolar, correspondendo ao sonho profundo de cruzar a arte e a vida(PNA, 2020).
Vamos estar atentos pois já estão a surgir coisas incríveis!
«(…) a culturanão é um luxo de privilegiados, mas uma necessidade fundamental de todos os homens e de todas as comunidades. A cultura não existe para enfeitar a vida, mas sim para a transformar – para que o homem possa construir econstruir-se em consciência,em verdade e liberdade e em justiça(…)» Sophia de Mello Breyner Anderson (PNA, 2020).
A arte está para a vida
como o vinho para a uva, (…) a arte recolhe da vida o seu material mas produz
acima desse material algo que ainda não está nas propriedades desse material”
(Psicologia da Arte, Vygotsky, 1999).