sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O sucesso também se aprende: como inverter uma trajetória descendente - versão para pais

Setembro é um mês de janeiro para os milhares de alunos e professores. É um novo ano que começa, uma etapa que inicia, com as suas rotinas, desafios, alegrias e angústias. É sempre um momento de recomeço.


A diferença este ano é que fomos confrontados com os mais recentes resultados do PISA que mostraram uma diminuição assustadora dos resultados dos nossos alunos (para ver o relatório clique AQUI). A tendência de crescimento que se registava nos resultados dos nossos alunos inverteu-se e regressaram a níveis que já não se observavam há cerca de 20 anos. 


Em termos práticos, isto significa que muitos jovens apresentam hoje mais dificuldades na leitura e compreensão da informação do que os seus pares de 2005. E quando a leitura falha, o impacto faz-se sentir em todas as áreas. Na Matemática, por exemplo, não basta saber calcular: é preciso compreender o problema, selecionar a informação relevante e definir uma estratégia de resolução. Desde interpretar uma tabela de horários até gerir um orçamento ou comparar preços num supermercado, a capacidade de compreender informação escrita está na base de inúmeras competências essenciais para a vida. 
Por isso, melhorar os resultados escolares significa também investir no desenvolvimento da leitura, do raciocínio e do pensamento crítico.

Perante estes resultados tão discrepantes dos alunos portugueses em áreas fundamentais como a leitura, a matemática e as ciências, é natural que surjam preocupações. De quem será a culpa? Dos ecrãs? Da Escola? Dos pais? Mas, mais importante do que procurar culpados, estes resultados são um convite à reflexão e à ação. 



Sabemos que o sucesso escolar não depende apenas das capacidades individuais dos alunos. É o resultado de hábitos, atitudes, competências socioemocionais, apoio familiar e práticas educativas consistentes. E a ciência psicológica diz-nos que muitas das capacidades associadas ao sucesso podem ser desenvolvidas e fortalecidas ao longo do tempo. A motivação, a persistência, a autonomia, a organização do estudo, a curiosidade e a confiança para enfrentar dificuldades não são características inatas. São competências que se aprendem, treinam e cultivam diariamente.


Neste início de ano letivo, pais e professores têm uma oportunidade única para ajudar os alunos a construir bases mais sólidas para aprender melhor e alcançar o seu potencial. Porque, tal como a leitura, a matemática ou as ciências, também o sucesso se aprende.

Hoje deixamos aqui algumas dicas para os pais. Num próximo artigo voltaremos com sugestões para os professores!


O que podem fazer os pais?


1. Promover hábitos regulares de leitura

A competência leitora continua a ser a base de toda a aprendizagem. Ler não serve apenas para ter melhores notas a Português; é fundamental para compreender problemas matemáticos, interpretar informação científica e desenvolver pensamento crítico.


Algumas sugestões:

  • Criar momentos diários de leitura em família- desligam-se ecrãs e cada um lê o seu livro, na mesma divisão da casa, durante meia hora ou uma hora. Repita duas a três vezes por semana.
  • Dar o exemplo, mostrando que os adultos também leem. Volte a ter um livro na mesinha de cabeceira. Vá à Biblioteca Municipal fazer o cartão de leitor e requisite livros. É grátis! Encontra lá livros para todos os gostos e para todas as idades.
  • Conversar sobre livros, notícias ou artigos de interesse. Comentar o que acontece no mundo, de forma adequada à idade das crianças, indo para além do que se vê na tv ou nas redes sociais.
  • Limitar a utilização passiva dos ecrãs promovendo atividades que exijam concentração. Cada vez mais estamos conscientes de que os ecrãs não desenvolvem competências importantes nas crianças e adolescentes. Devemos voltar aos puzzles, sopas de letras, montagem de Legos, pintura, desenho, trabalhos manuais diversos, ..., além de estimularem a criatividade, a atenção, a destreza motora, entre outras competências, são excelentes estratégias de regulação emocional.


2. Valorizar o esforço mais do que os resultados

Os alunos que acreditam que a inteligência não é uma competência inata, e que pode desenvolver-se através do trabalho, tendem a persistir mais perante as dificuldades. Em vez de dizer: "Tu és muito inteligente." Experimente: "Fico muito orgulhoso/a por te esforçares para estudar para essa disciplina." Esta pequena mudança ajuda a desenvolver uma mentalidade de crescimento e maior resiliência.


3. Criar rotinas previsíveis

O cérebro aprende melhor quando existe organização e previsibilidade nas rotinas. Deste modo, é importante garantir:

  • Horários regulares de sono.
  • Tempo definido para estudo em casa.
  • Espaço tranquilo para realizar as tarefas escolares.
  • Equilíbrio entre aulas, estudo, lazer e atividade física.


4. Desenvolver a autonomia

Muitos pais, com a melhor das intenções, acabam por resolver problemas que deveriam ser enfrentados pelos filhos. Em vez de apontar as soluções, de imediato, fazer perguntas como:

  • "Como é que isso poderia ser resolvido?"
  • "Precisas de ajuda para resolver isso?"
  • "O que é que precisas que eu faça para te ajudar?"

Deste modo estará a estimular a capacidade de reflexão e a autorregulação da aprendizagem.

5. Cuidar da saúde emocional

Ansiedade, baixa autoestima, perfeccionismo excessivo ou desmotivação podem ter um impacto tão significativo como dificuldades na aprendizagem. Ninguém consegue ter um bom desempenho se estiver com medo de falhar ou com receio de desiludir os pais. É importante escutar sem julgamento e validar emoções. Muitas vezes as crianças só precisam de sentir que alguém as ouviu e percebeu o que sentem. E acima de tudo, ouvirem muitas e muitas vezes que os pais não vão deixar de as amar caso alguma coisa corra mal. No entanto, quando nada disto é suficiente, pode ser importante procurar apoio especializado. O Serviço de Psicologia e Orientação do Agrupamento pode ser uma porta a abrir.


Em suma:

Como recordava o pediatra e psicanalista Donald Winnicott, as crianças não precisam de "pais perfeitos", mas de pais suficientemente bons. Esta ideia continua hoje mais atual do que nunca. Num tempo em que as redes sociais parecem estar constantemente a ditar novas regras sobre como educar, é importante lembrar que o desenvolvimento saudável de uma criança não depende de seguir todas as tendências ou aplicar todas as estratégias da moda. Depende, sobretudo, da presença, da disponibilidade emocional, da coerência e do interesse genuíno pela sua vida quotidiana. Conversar ao jantar, perguntar como correu o dia, ler uma história, ajudar a ultrapassar uma frustração ou celebrar uma pequena conquista são gestos simples que deixam marcas profundas.

Porque é no dia a dia, através de relações seguras e consistentes, que se constroem a confiança, a curiosidade, a autonomia e a vontade de aprender que nos acompanham ao longo da vida.


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Opções para o ensino secundário

 Olá, alunos do 9º ano.

A pedido de alguns de vós, aqui vai a apresentação que usamos para vos falar das opções que existem no ensino secundário.

Aproveitem bem!

Cliquem na imagem ou no link abaixo.

Opções para o ensino secundário- 2026-27



segunda-feira, 20 de abril de 2026

Antes de escolher, explora: o primeiro passo para um futuro com sentido

Jovem indeciso, escolha, orientação vocacional
Está quase a chegar o final do ano e com ele a primeira grande escolha: que caminho escolher para o ensino secundário. Escolher o caminho após o 9.º ano pode parecer assustador e, para muitos alunos, é mesmo o primeiro momento em que se confrontam com decisões “a sério”. Entre dúvidas, expectativas e alguma ansiedade, há uma verdade simples que faz toda a diferença: não é preciso ter todas as respostas, mas é essencial começar a explorar.

De facto, boas decisões assentam em boas informações. Ou seja, para escolheres o caminho mais adequado para ti, deves procurar conhecer o melhor possível as opções que tens. É exatamente isso que a orientação vocacional deve ser: um processo de descoberta, não de pressão.

Porque é tão importante conhecer cursos e profissões?

Muitos alunos escolhem uma área de estudos sem realmente saber o que ela implica. Conhecer cursos e profissões permite:

  • Tomar decisões mais conscientes
  • Evitar mudanças de percurso desnecessárias
  • Descobrir interesses que ainda não estavam claros
  • Ganhar motivação para estudar com um objetivo

Mais do que “escolher já”, trata-se de explorar possibilidades.


Guião prático: como explorar cursos e profissões

A seguir damos-te um passo a passo para te ajudar nessa exploração:

1. Começar por ti próprio/a

Além dos resultados dos testes de Orientação Vocacional que fizeste na tua Escola, com o Serviço de Psicologia, é  importante olhares para dentro:

  • O que gostas de fazer nos tempos livres?
  • Em que disciplinas te sentes mais confortável?
  • Preferes trabalhar com pessoas, números, ideias ou coisas práticas?

2. Explorar áreas de estudo

Depois, é altura de perceber que opções existem no ensino secundário e superior.

👉 Recursos:

Sugestão prática: escolhe 3 áreas diferentes e pesquisa:

  • Que profissões estão associadas?
  • Que cursos levam a essas profissões?
  • O que se estuda nesses cursos?

3. Conhecer profissões reais

Muitas vezes os alunos conhecem o nome da profissão, ou o que vêm numa série ou filme, mas não o verdadeiro dia a dia dessa profissão. Nada substitui o contacto direto com profissionais dessa área. Procura contactar com pessoas que exercem as profissões que te interessam  e faz-lhes algumas perguntas:

  • O que mais gosta no seu trabalho?
  • O que é mais difícil?
  • Como é o seu dia a dia? Que tarefas faz?
  • Se voltasse atrás, escolheria o mesmo?
jovem entrevista profissional, exploração vocacional


4. Experimentar sempre que possível

Aqui entra um dos pontos mais importantes:

🎓 Universidades de Verão / Universidade Júnior

Várias instituições organizam programas de verão para alunos do ensino básico e secundário, onde podem experimentar áreas científicas na prática.

👉 Exemplos:

Estas iniciativas permitem:

  • Contactar com diferentes áreas (medicina, engenharia, artes, etc.)
  • Conhecer o ambiente universitário
  • Tomar decisões com base em experiências reais.

5. Refletir e ajustar

Depois da exploração:

  • O que me surpreendeu?
  • O que gostei mais/menos?
  • Que áreas quero continuar a explorar?

👉 Importante: não é uma decisão final — é um processo em construção.


🌟 Para terminar


jovens a decidir caminho, orientação vocacional

Escolher um percurso não é encontrar “a resposta certa”, mas sim dar o próximo passo com mais informação e consciência. É definires o teu percurso, sabendo que ainda terás de tomar outras decisões pelo caminho. E para isso precisas de desvendar o mapa, de saber as alternativas e os caminhos que te levam ao destino.

A orientação vocacional é também um convite à curiosidade. Porque, no fundo, só podemos escolher bem aquilo que conhecemos.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

 Janeiro... um mês para lembrar, agradecer e construir paz

Diz-se muitas vezes que janeiro é o mês mais lonngoooo do anooooo... Os dias parecem arrastar-se, o frio e o cinzento instalam-se, e o entusiasmo típico das festas dá lugar a alguma apatia e cansaço emocional. Para muitas pessoas, este é também um período mais vulnerável do ponto de vista psicológico, marcado por tristeza, desmotivação ou ansiedade face ao novo ano que começa.

No entanto, janeiro não é apenas um mês difícil. É também um tempo simbólico, carregado de significados que nos convidam à reflexão, à memória e à construção de algo novo — individual e coletivamente.

O ano inicia-se com o Dia Mundial da Paz, celebrado a 1 de janeiro. Num mundo atravessado por conflitos, desigualdades e tensões, esta data ganha um peso especial. Falar de paz não é apenas falar da ausência de guerra, mas sim da presença de valores como o respeito, a empatia, o diálogo e a cooperação. A paz começa nos pequenos gestos do quotidiano: na forma como resolvemos conflitos, como escutamos o outro, como cuidamos das nossas relações e da nossa comunidade escolar.


Poucos dias depois, janeiro lembra-nos uma das páginas mais sombrias da história da humanidade: o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, assinalado a 27 de janeiro. Esta data convoca-nos à memória coletiva, não para permanecer no sofrimento do passado, mas para aprender com ele. Recordar o Holocausto é um ato de responsabilidade ética e educativa. É lembrar até onde podem levar o ódio, a discriminação, a desumanização e o silêncio. É também reafirmar a importância da educação para os direitos humanos, para a diversidade e para a inclusão — pilares essenciais de uma escola segura e saudável.


A este respeito, deixamos a sugestão de leitura do Caderno do Avô Heinrich, de Conceição Dinis Tomé (Docente no nosso agrupamento de Escolas). Uma obra que nos faz viajar no tempo e nos conta uma história de amizade e coragem, numa época dominada pelo medo, ao mesmo tempo, que nos fomenta valores como a empatia, a solidariedade e a coragem moral.

Entre estas datas de grande peso histórico e simbólico, janeiro celebra também algo aparentemente simples, mas profundamente transformador: o Dia do Obrigado. Dizer obrigado/a é um gesto pequeno, mas com um impacto enorme no bem-estar psicológico e relacional. A gratidão fortalece vínculos, promove emoções positivas, aumenta o sentido de pertença e contribui para um clima mais positivo, seja na família, na escola ou na sociedade. 

                             

Na psicologia, sabemos que praticar a gratidão — reconhecer o que recebemos, o apoio que temos e os pequenos aspetos positivos do dia a dia — está associado a níveis mais elevados de bem-estar emocional, resiliência e satisfação com a vida. Num contexto escolar, o agradecimento pode ser uma poderosa ferramenta educativa: agradecer o esforço, a ajuda, a escuta, o respeito. Ensinar crianças e jovens a valorizar o outro é também educar para a paz.

Assim, apesar da fama de mês cinzento e pesado, janeiro pode ser encarado como um tempo de consciência e intenção. Um mês que nos convida a olhar para trás, para não repetir erros; a olhar para o presente, para cuidar das nossas emoções e relações; e a olhar para o futuro, com responsabilidade e esperança.

No Serviço de Psicologia e Orientação, acreditamos que a saúde psicológica se constrói todos os dias, através de pequenos gestos, de espaços de escuta, de relações significativas e de uma escola que valoriza o bem-estar emocional tanto quanto o sucesso académico.

Que este início de ano seja uma oportunidade para:

  • falar mais de paz e praticá-la no quotidiano;
  • lembrar o passado para construir um futuro mais justo;
  • dizer mais vezes obrigado/a, com sinceridade;
  • e cuidar de nós e dos outros, com empatia.

Mesmo nos meses mais longos e cinzentos, é possível acender pequenas luzes.

Janeiro pode ser o começo ;)





quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Presentes que não cabem em caixas: A magia do Amigo Secreto no Agrupamento


Durante este mês de dezembro de 2025, o espírito natalício não andou apenas pelos corredores dos alunos. 


Em duas escolas do nosso agrupamento, o pessoal docente e não docente aceitou o desafio e mergulhou na brincadeira do Amigo Secreto!🎄





Mimar outra pessoa do mesmo local de trabalho fortalece os laços, cria novas ligações, e promove a integração de novos colegas. E assim foi, ao longo destas duas últimas semanas a criatividade e a atenção ao outro pairava pelas escolas, a desconfiança (divertida) permitiu fomentar momentos interativos, de expectativa, de surpresa e de descontração.



Pode parecer "apenas um jogo", mas para o Serviço de Psicologia e Orientação, estas dinâmicas são autênticas vitaminas para o nosso bem-estar.


 ⭐ Saímos da nossa "bolha": É a desculpa perfeita para conhecer aquele colega de outro departamento com quem raramente cruzamos palavras.

  😍  Pausa no stress: Dezembro é um mês intenso de avaliações e prazos. Estes momentos de riso e mistério são o balão de oxigénio que todos precisamos.

 ✌ Somos todos uma Equipa!: Quando professores e funcionários trocam miminhos, as barreiras desaparecem e o sentimento de união ganha força. 



💙💜 Resgatar os Valores que importam 💜💙

Mais do que a troca de objetos, esta atividade serviu para nos lembrar dos valores que realmente definem esta época (e que tentamos passar aos nossos alunos todos os dias):

😄A Gratidão: Parar para agradecer a presença e o trabalho de quem está ao nosso lado o ano inteiro. 

    😆A Empatia: O esforço de pensar no outro — "Do que é que ele gosta?", "O que o faria sorrir?".


    😎 A Generosidade: E não está relacionada com o preço do presente, mas sim com a entrega e o carinho depositado num gesto. 


    😃A Solidariedade: Reforçar a ideia de que ninguém caminha sozinho na nossa escola.




💛💚Dica para as Famílias: O Amigo Secreto Sem Carteira 💛💚


O Serviço de Psicologia lança um desafio: 

porque não fazer um Amigo Secreto em casa com uma regra diferente? 

Presentes sem talão de troca! 

Presentes não materiais!


🎟️ Um Vale Especial: "Vale uma tarde a jogar o jogo preferido", "Vale uma massagem aos pés" ou "Vale escolher o filme da noite".

💌 Palavras que Curam: Escrever uma carta ou fazer um desenho que diga "Gosto de ti porque...".

👨🍳 Mãos à Obra: Cozinhar juntos a sobremesa favorita de quem nos saiu no sorteio.




Estas trocas ensinam que o mais valioso

que podemos oferecer é o 

nosso tempo, atenção e afeto.





E na Escola?

A tradição mantém-se. 

Ao longo do ano podemos mimar os colegas de trabalho, promover a união e a convivência.

               Fortalecer o espírito de equipa.

                        Incentivar a empatia e o cuidado.

                                    Tornar o ambiente profissional mais leve e motivador.

    



🎄🎅Que o espírito de Natal se sinta ao longo de todo o ano! 🎄🎅









terça-feira, 14 de outubro de 2025

Dia Mundial da Saúde Mental - 10 de outubro


     No dia 10 de outubro celebra-se, em todo o mundo, o dia da Saúde Mental

    Surgiu em 1992, por iniciativa da Federação Mundial de Saúde Mental, com o objetivo de aumentar a consciencialização pública sobre questões de saúde mental em todo o mundo e combater o estigma social.

    O tema deste ano é «Saúde mental em contextos de emergência humanitária». Pretende-se destacar a necessidade urgente de apoiar a saúde mental e as necessidades psicossociais das pessoas afetadas por emergências humanitárias. É necessário intensificar os esforços para que a saúde mental seja valorizada, protegida e acessível a todos, especialmente em face da adversidade. 
    De acordo com a Organização Mundial de Saúde, crises como desastres naturais, conflitos e emergências de saúde pública causam sofrimento emocional, com uma em cada cinco pessoas a sofrer de um problema de saúde mental. Apoiar o bem-estar mental das pessoas durante essas crises não é apenas importante - salva vidas, dá às pessoas a força para lidar com a situação, o espaço para se curarem, recuperarem e reconstruírem-se, não só como indivíduos, mas também como comunidades. Para saber mais sobre esta campanha visite o site da Organização Mundial de Saúde

    No contexto atual com conflito armado em várias zonas do planeta, a questão da saúde mental ganha outra dimensão. No entanto, este é um problema transversal a diferentes contextos políticos, culturais, sociais e económicos. 


    O relatório da Organização Mundial da Saúde (Mental Health Atlas 2024), que faz um levantamento global dos sistemas de saúde mental em 144 países, aponta para a existência de 1 bilião de pessoas no mundo que vivem com transtornos mentais, como ansiedade e depressão. E refere que estes transtornos representam a segunda causa principal de incapacidade a longo prazo. 
    Portugal apresenta uma alta prevalência de transtornos mentais, estimando-se que mais de 2,25 milhões de pessoas foram afetadas em 2019, representando 22% da população. Isso é superior à média da União Europeia de 16,7%.


 Ou seja: é um tema urgente, que toca de perto quase 1/4 da população portuguesa e para o qual devem ser encontradas políticas diferentes, mais focadas na prevenção do que na remediação. 


Até porque a saúde mental e a saúde física andam de mãos dadas: vários estudos mostram a relação entre problemas de saúde física e de saúde mental, sendo que a sua relação é bidirecional, ou seja, problemas numa podem influenciar a outra de forma recíproca. 
Em Espanha, um estudo de 2024 mostrou que uma em cada três consultas nos cuidados de saúde primários está relacionada com questões de saúde mental, como ansiedade, depressão ou stress. 
Ou seja, muitas vezes, um problema de saúde mental pode evoluir para uma doença física, com comprometimento de várias áreas do funcionamento da vida da pessoa, incapacitando-a para interagir de forma saudável com os outros e para o trabalho, levando à perda de autonomia e de funcionalidade, ao mau-estar e à infelicidade.


    Então o que podemos fazer? o papel da prevenção é fundamental em tudo. Já diziam os antigos: mais vale prevenir que remediar!! 

    Da mesma forma que sabemos os cuidados que temos de ter com a nossa alimentação, com o número de passos que temos de dar para estarmos ativos, com a quantidade de água que devemos ingerir e as horas de sono que são necessárias para andarmos bem, então deveríamos registar na nossa agenda algumas regras essenciais para cuidar da nossa saúde mental:

  • assegurar um sono adequado e regular, fundamental para os processos de consolidação da memória e regulação emocional; 
  • cultivar relações sociais de qualidade, reconhecidas como fator protetor contra a depressão e a ansiedade; 
  • praticar regularmente atividade física, que estimula a libertação de neurotransmissores associados ao bem-estar, como a serotonina e a dopamina; 
  • integrar na rotina práticas de atenção plena (mindfulness) e respiração consciente, que reduzem a reatividade ao stress e fortalecem a autorregulação emocional; 
  • manter um equilíbrio entre as exigências profissionais e o tempo de lazer, prevenindo o esgotamento psicológico; 
  • expor-se à luz natural e ao contacto com a natureza, promotores de estabilidade do humor; e procurar apoio psicológico quando surgem sinais persistentes de sofrimento emocional.
    Estas práticas, sustentadas por evidência científica nas áreas da psicologia, neurociência e medicina comportamental, contribuem para o fortalecimento da resiliência psicológica, da neuroplasticidade e do equilíbrio entre corpo e mente.

   Por fim, deixamos um texto para refletir: A mochila e o revisor.
  Muitas vezes acumulamos coisas de que não precisamos nas nossas pastas e carteiras, fazendo um volume incómodo e peso prejudicial à nossa coluna. De vez em quando temos de fazer uma limpeza, deitando papeis, talões e outros objetos desnecessários para o lixo. Guardamos algumas coisas noutro local que nos podem ser úteis e continuamos mais leves, mais limpos e mais organizados. Também a nossa vida emocional pode trazer um acumular de coisas desnecessárias, pesadas e incómodas. Devemos criar rotinas de observação do que transportamos a mais e de arrumação ou limpeza desses excessos. 

A mochila e o revisor

   Esperamos que cuidem ainda mais de vocês, para que possam ser mais felizes, ter mais saúde e possam também cuidar dos outros. 


quinta-feira, 25 de setembro de 2025

BEM-ESTAR NA ESCOLA

BEM-ESTAR NA ESCOLA




O bem-estar no local de trabalho precisa ser cuidado. Ao desejarmos um ambiente saudável, com vista à produtividade e melhoria contínua, importa estarmos envolvidos, podermos ser o apoio uns dos outros e caminharmos no mesmo sentido. Assumindo este compromisso (ainda no final do ano letivo anterior) a pensar em todos e no ano letivo que se inicia, surgiu a proposta de se realizar uma atividade de bem-estar em grupo.

Uma das formas de descontrairmos é a caminhar, sabemos que a luz do dia também só nos faz bem (para além da vitamina D) e o brincar/jogar eleva a vontade de fazer, estimula a criatividade e as afinidades entre as pessoas, facilitando a liderança e a resolução de conflitos... quando tudo isto é feito em grupo cresce a partilha de experiências e aumenta a segurança. 

Ao misturarmos todos estes elementos saiu um Peddy Paper... e com este, convidando todos os profissionais do agrupamento, quisemos começar o ano letivo de forma positiva e descontraída. Com cem inscrições, distribuídas por pequenos grupos, o passeio mostrou-se divertido pela cidade!


Percorreram-se ruas no Centro Histórico de Viseu... 

Cumpriram-se tarefas e houve interação com desconhecidos!

Descobriram-se curiosidades.

          Uniram-se esforços e pés e surgiram gargalhadas...






Terminámos num parque, até há pouco, escondido...

                      










Caminhar com pessoas amigas, no Centro Histórico duma Cidade...

- promove a interação social, o conhecimento mútuo, a comunicação...

- fortalece laços de amizade, cria memórias compartilhadas, o sentido de pertença...

- aumenta a sensação de bem-estar, contribui para a saúde e redução do stress...

- estimula o contato com o património histórico e cultural da cidade...

- faz-nos desfrutar do momento presente, do aqui e agora - nós, os outros e a cidade,

- melhora o humor e a inspiração...


Estes benefícios reverteram a favor duma equipa de trabalho que vai passar os próximos meses junta e que, por isso, se quer em colaboração, conectada, aberta e flexível. Capaz de enfrentar, junta, os desafios com que se irá deparar ao longo do ano letivo.


Esta é uma atividade que pode ser feita noutros contextos, nomeadamente no familiar. Para terem oportunidade de conhecer melhor a nossa cidade, num formato divertido, imprimam um dos flyers e sigam à descoberta! Esperamos que se divirtam e tragam emoções novas para casa!


Peddy Paper a)              Peddy Paper b)


   

Se quiserem saber mais, sobre ambientes de trabalho saudáveis e a importância da luminosidade para a saúde mental, deixamos a seguir dois links, que nos levam além da curiosidade, até um maior conhecimento destes temas. 

Ambientes de Trabalho Saudáveis

Luz e Saúde Mental


BOM ANO!