segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Dia Mundial da Saúde Mental

10 de outubro


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No dia 10 de outubro celebra-se o Dia Mundial da Saúde Mental. Este dia celebra-se desde 1992, por iniciativa da Federação Mundial de Saúde Mental e com o apoio da Organização Mundial de Saúde. A data procura sensibilizar para a importância da saúde mental, reduzir o estigma associado às perturbações mentais e promover políticas que garantam cuidados acessíveis a todos e a todas! 


Segundo a Organização Mundial de Saúde, a saúde mental não é a simples ausência de doença 

ou enfermidade, mas um estado de completo bem-estar físico, mental e social, em que cada 

indivíduo tem consciência do seu próprio potencial, consegue lidar com os desafios normais da 

vida, consegue trabalhar de forma produtiva e frutífera e é capaz de contribuir para a sua 

comunidade.

 


Por outras palavras...

a saúde mental é o modo como pensamos, sentimos e reagimos às situações da vida.

É o equilíbrio entre emoções, pensamentos e comportamentos. 

Ter saúde mental não significa estar sempre feliz, mas conseguir lidar com os sentimentos e pedir ajuda quando precisamos


(1º B da Escola de Jugueiros)

    Desafiámos os docentes do Agrupamento, à semelhança dos anos anteriores, a promoverem com as turmas um momento simples, mas bonito, de 


     partilha, 


     escuta e 


     sensibilização. 




Porque consideramos importante dar espaço à expressão, escutar com atenção e promover ações que contribuam para o bem-estar psicológico de crianças e jovens. Assim, cada professor recebeu uma sugestão de atividade e reflexões sobre esta temática, ajustada a cada ciclo de ensino.

(Sala 3 Aquilino Ribeiro)


Os mais pequenos foram convidados a criar o Jardim da Saúde Mental, após refletirem sobre alguns aspetos do seu dia a dia, pensando no que os faz feliz na escola, nas pessoas a quem recorrem quando precisam de ajuda, nas atividades que os fazem sentir melhor e nas características de que mais gostam em si próprios. 

(Jardim de Infância de S. João de Lourosa)

Os mais crescidos construíram murais sobre o que os faz sentir bem, tranquilos e seguros na escola e sobre formas de cuidar da saúde mental na escola. 




(5ºD - Infante D. Henrique)



Através destas questões, procurou-se promover a reflexão sobre a

importância da saúde mental e do bem-estar emocional, ajudando

os alunos a identificar os fatores que contribuem para se sentirem

bem, tranquilos e seguros no contexto escolar. 






(Escola de Repeses)




Esta atividade permitiu ainda valorizar a importância das relações positivas, da autoestima, da partilha de sentimentos e da adoção de estratégias saudáveis para lidar com as emoções e as dificuldades do quotidiano.


(4ºB da Escola de Jugueiros)












Cuidar da saúde mental é tão importante como cuidar da saúde física, pois permite-nos lidar melhor com as emoções, enfrentar os desafios do dia a dia e manter relações saudáveis com os outros. É essencial reservar tempo para nós próprios, descansar, fazer atividades de que gostamos e procurar apoio quando nos sentimos tristes, ansiosos ou sobrecarregados. 


(Escola de Teivas)


Os adultos aliaram a Saúde Mental à comemoração do Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro) e disfrutaram de um lanche convívio, cheio de descontração e paladares apurados. 






Tal como cuidamos de um jardim para que as plantas cresçam fortes e saudáveis, também devemos cuidar da nossa mente com atenção, paciência e carinho. 

Ao darmos importância à nossa saúde mental, estamos a contribuir para uma vida mais equilibrada, feliz e saudável.





Por outro lado....

Trabalhar numa escola implica um estado de disponibilidade contínua, mesmo fora da sala de aula  ou da escola. Continuamos ligados ao trabalho, aos alunos e às responsabilidades pendentes, sem darmos por isso.

... Mais um esforço, mais um ajuste, mais um dia assim... 


É neste contexto que a reflexão sobre os limites se torna essencial. 


Mas, afinal, do que é que falamos quando falamos de limites?

Os limites são fronteiras psicológicas, físicas e emocionais que protegem os nossos recursos internos, como a nossa energia, a nossa atenção e o nosso equilíbrio. São os limites que regulam o que dispomos aos outros e o que preservamos connosco, protegendo-nos do esgotamento. 

Na prática, o nosso corpo possui mecanismos fisiológicos que detetam a ultrapassagem dos limites antes de nós próprios termos consciência deles. Quando isso acontece, o nosso cérebro entra em modo de alerta, aparece o stress, o cortisol aumenta, e a tensão muscular e a fadiga diminuem a nossa capacidade de recuperação, o que nos torna mais reativos e menos disponíveis para o outro. 


A partir daí, surge a dificuldade em lidar com tarefas que antes eram simples, que faziam sentido e que traziam prazer. ⚠⚠E aqui está o aviso: já é demais!! ⚠⚠

Limites bem definidos não nos afastam dos outros ou despertam o nosso desinteresse. Pelo contrário, ajudam-nos a estar verdadeiramente presentes. 


Mas, na prática, porque é que reconhecer e estabelecer limites continua a ser um desafio?

No caso de quem trabalha com crianças e jovens  é especialmente desafiante devido a vários fatores: o forte sentido de responsabilidade e compromisso com os alunos, o medo de falhar, de não corresponder ou de deixar alguém para trás, a pressão social que associa autocuidado e egoísmo ou falta de definição. 

No entanto, cuidar de nós não diminui a entrega profissional, pelo contrário, torna-nos mais sustentáveis e eficazes. 

Reconhecer os próprios limites começa por algo simples - parar e fazer um check-in pessoal:


✔ Tenho feito pausas reais ao longo do dia ou vou sempre em esforço, tarefa em tarefa?

✔Consigo desligar da escola ao final do dia ou o trabalho continua a ocupar o meu pensamento?

✔Sinto que recupero a energia suficiente para enfrentar o dia seguinte?

✔Consigo dizer não em algumas situações sem me sentir culpado/a?

✔Com que frequência levo trabalho para casa?

✔Tenho momentos só para mim, mesmo que breves, que respeite de forma consistente?

✔ Dou-me conta do quanto estou cansado/a, sobrecarregado/a ou no limite? Ou só percebo quando já é tarde demais? 


Responder a estas perguntas ajuda-nos a perceber até onde os nossos limites têm sido esticados.

 

Esta consciência é o primeiro passo para ajustar práticas e recuperar equilíbrio. E não se trata de mudanças radicais, mas escolhas consistentes. Pequenas decisões diárias no nosso corpo, na nossa mente, nas emoções e nas relações ajudam a construir gradualmente uma forma mais saudável de estar na profissão.




sexta-feira, 2 de outubro de 2026

O sucesso também se aprende: como inverter uma trajetória descendente - versão para professores

Na nossa publicação anterior demos conta da preocupação que sentimos acerca dos resultados dos alunos portugueses no PISA. É uma queda significativa, para valores próximos dos de há 20 anos, mostrando um retrocesso em competências básicas de leitura, na matemática e na área das ciências nos alunos de 15 anos. 


Mas o que é que estes números podem significar dentro de uma sala de aula?

Na prática, podemos estar perante alunos que conseguem adquirir determinados conhecimentos, mas revelam maior dificuldade em compreendê-los em profundidade, relacioná-los, interpretá-los e utilizá-los autonomamente perante situações novas.

Na leitura, por exemplo, o aluno consegue ler um texto, mas tem dificuldade em perceber exatamente o que leu, consegue responder a perguntas diretas, mas tem dificuldades quando precisa de fazer inferências, relacionar informações dispersas, distinguir o essencial do acessório, avaliar criticamente a informação ou justificar uma interpretação. São dificuldades que não se manifestam apenas na disciplina de Português. Podem surgir ao interpretar um documento em História, compreender um problema de Matemática ou retirar informação relevante de um texto em Ciências. 

No estudo de 2025 apenas 3% dos alunos atingiram o nível 5 de proficiência e 0,3% o nível 6, nos quais se exige compreender textos extensos e complexos, inferir informação que não está explícita, refletir e avaliar criticamente ou formular hipóteses a partir da informação disponível.

Na matemática, os professores poderão reconhecer o aluno que executa corretamente um procedimento depois de o ter treinado várias vezes, mas fica bloqueado quando o mesmo conhecimento aparece num problema formulado de maneira diferente. Pode saber calcular uma percentagem num exercício direto, mas ter dificuldade em decidir qual de duas promoções é mais vantajosa; conseguir aplicar uma fórmula quando lhe dizem qual deve utilizar, mas não identificar autonomamente que aquela fórmula lhe permitiria resolver um determinado problema. Saber "fazer a conta" não significa necessariamente saber quando, como e porquê utilizá-la. 
Também na matemática a taxa de alunos que atingiu níveis mais elevados de proficiência, em que conseguem resolver problemas que exigem a mobilização e integração de conhecimentos matemáticos é reduzida (6%).

Nas ciências o padrão é semelhante. Um aluno pode saber uma definição ou descrever um fenómeno estudado, mas encontrar maior dificuldade quando tem de usar o conhecimento científico para explicar uma situação nova, interpretar criticamente dados, avaliar evidências ou tomar uma decisão fundamentada. Por exemplo, pode saber explicar uma questão ambiental estudada no manual, mas não conseguir avaliar criticamente informação sobre o mesmo problema quando esta lhe surge numa notícia ou numa publicação nas redes sociais.

Os resultados do PISA 2025 não devem servir apenas para constatar uma descida. Devem fazer-nos fazer pensar sobre o tipo de aprendizagem que estamos a promover. Talvez o desafio não seja simplesmente ensinar mais conteúdos ou propor mais exercícios. Será sobretudo criar mais oportunidades para que os alunos pensem com aquilo que aprendem: interpretar, questionar, relacionar, explicar, comparar estratégias, formular hipóteses, justificar respostas, identificar erros, avaliar a credibilidade da informação e aplicar conhecimentos a situações diferentes daquelas em que foram inicialmente ensinados.

Se, de facto, os dados do PISA mostram dificuldades em mobilizar o que se aprende, as respostas pedagógicas devem atuar não só sobre os conteúdos, mas também sobre a forma como os alunos aprendem, pensam, resolvem problemas e se relacionam com a aprendizagem.


O que podem fazer os professores?


1. Ensinar competências de aprendizagem

Pode ser surpreendente, mas muitos alunos não sabem estudar. É importante ensinar explicitamente estratégias como:

  • Tirar apontamentos – muitas vezes, os alunos limitam-se a registar aquilo que o professor lhes diz para escrever. A tarefa de tirar apontamentos de forma autónoma deve ser ensinada e praticada, sobretudo a partir do 2.º ciclo. Por exemplo, pedir aos alunos que, durante uma explicação, registem três ideias importantes, palavras-chave ou uma dúvida, comparando depois os seus apontamentos com os de um colega.
  • Organização da informação – organizar o caderno diário, colocar títulos e datas, dividir a informação em secções, distinguir ideias principais de exemplos ou utilizar sublinhados e códigos de cores são estratégias simples que ajudam o aluno a selecionar, hierarquizar e relacionar a informação. Em vez de fornecer sempre esquemas prontos, podemos também ensinar os alunos a construí-los.
  • Planeamento de tarefas – perante um trabalho, um problema mais complexo ou um teste, ajudar os alunos a pensar: O que tenho de fazer? Por onde começo? De que materiais ou informação preciso? Que etapas devo seguir? Dividir uma tarefa mais complexa em pequenas etapas e construir um plano antes de começar ajuda a desenvolver progressivamente maior autonomia.
  • Autoavaliação – saber o que já se sabe e identificar aquilo que ainda é necessário aprender é fundamental. No final de um tema, podem ser utilizadas checklists simples, com itens como "Já consigo...", "Ainda tenho dúvidas em..." ou "Preciso de praticar...". Também se pode pedir ao aluno que indique, antes da correção de uma tarefa, quais as respostas em que teve mais dúvidas.
  • Gestão do tempo – muitos alunos têm dificuldade em estimar quanto tempo precisam para realizar uma tarefa. Podemos ajudá-los a desenvolver esta competência pedindo, por exemplo, que calculem previamente o tempo necessário, registem quanto demoraram efetivamente e comparem os dois valores. Nos trabalhos mais longos, estabelecer pequenas metas intermédias ajuda a evitar que tudo fique para o último momento.
  • Monitorização durante a tarefa – importa ensinar os alunos a parar e verificar se estão no caminho certo, em vez de realizarem uma tarefa até ao fim sem questionarem o que estão a fazer. Perguntas como "Isto está a fazer sentido?", "Estou a responder ao que foi pedido?" ou "Preciso de mudar de estratégia?" podem, progressivamente, transformar-se em perguntas que o próprio aluno aprende a fazer a si mesmo.
  • Pedido de ajuda – ser autónomo não significa fazer tudo sozinho. É importante ensinar os alunos a identificar concretamente a dificuldade e formular um pedido de ajuda. Em vez de "Não percebo nada", incentivar formulações como "Percebi até aqui, mas não sei como passar para o passo seguinte" ou "Não consigo perceber o que esta pergunta me pede".

Aprender a aprender é uma competência essencial para o sucesso escolar.


2. Apostar na compreensão e no pensamento crítico

Num mundo onde a informação está disponível a qualquer momento, memorizar já não é suficiente. Os alunos precisam de aprender a:

  • Interpretar textos – ler não é apenas decifrar palavras ou localizar informação. É necessário ensinar os alunos a identificar ideias principais, relacionar informações e fazer inferências. Podemos pedir-lhes que expliquem por palavras suas o que acabaram de ler, atribuam um título a um parágrafo ou distingam a informação essencial da acessória.
  • Formular perguntas – habitualmente é o professor quem pergunta e o aluno quem responde. Podemos inverter esta lógica, pedindo aos alunos que, após um texto, uma explicação ou um novo conteúdo, formulem uma pergunta sobre o que aprenderam ou sobre aquilo que gostariam de compreender melhor. Aprender a fazer boas perguntas também é aprender a pensar.
  • Avaliar fontes de informação – num contexto de acesso imediato a enormes quantidades de informação, importa ensinar a questionar: Quem publicou? Quando? Com que objetivo? Em que evidências se baseia? A informação é confirmada por outras fontes? Comparar duas páginas, notícias ou respostas diferentes sobre o mesmo tema pode constituir um exercício simples de análise crítica.
  • Resolver problemas novos – os alunos precisam de experimentar situações em que não lhes seja dito imediatamente qual o procedimento a utilizar. Depois de aprenderem determinado conteúdo, podemos apresentá-lo num contexto diferente e perguntar: "O que sabemos que nos pode ajudar a resolver isto?" O objetivo é ajudá-los a transferir as aprendizagens e a experimentar estratégias perante situações menos familiares.
  • Argumentar e justificar opiniões – não basta dizer "concordo", "discordo" ou"acho que...". É importante habituar os alunos a acrescentar "porque..." e a fundamentar as suas posições com informação, exemplos ou evidências. Perguntas tão simples como "O que te leva a pensar isso?","Que informação sustenta a tua resposta?" ou "Consegues dar um exemplo?" podem ser utilizadas em praticamente todas as disciplinas.

São precisamente estas competências que o PISA procura avaliar.

3. Trabalhar a leitura em todas as disciplinas

A leitura não é apenas responsabilidade dos professores de Português. e em diferentes disciplinas, os professores podem:

  • Reservar tempo para ler e interpretar os enunciados.
  • Pedir ao aluno que explique o que lhe está a ser solicitado antes de começar uma tarefa.
  • Ensinar a identificar palavras-chave, ideias principais e informação secundária.
  • Comparar informação proveniente de dois textos ou fontes.
  • Trabalhar gráficos, notícias, tabelas, infografias e outros formatos de informação.
  • Pedir que uma resposta seja acompanhada da informação ou evidência que a sustenta.

Um problema de Matemática que o aluno "não consegue fazer" pode, por vezes, envolver também uma dificuldade em compreender o problema.


4. Dar menos respostas e fazer mais perguntas

Antes de explicar como se resolve uma tarefa, dê algum tempo aos alunos para pensarem. Perguntas simples podem fazer uma grande diferença:

  • O que já sabes?
  • O que precisas descobrir?
  • Que informação é importante e qual não é?
  • Como chegaste a essa conclusão?
  • Haverá outra maneira de resolver?
  • Como podemos verificar se a resposta faz sentido?

O objetivo é habituar os alunos a raciocinar, explicar e justificar, em vez de procurarem imediatamente a resposta certa. 


5. Usar o erro como material de aprendizagem

Em vez de corrigir imediatamente um erro, transforme-o num pequeno problema para a turma: "Neste exercício há um erro. Conseguem descobrir onde está e explicar porquê?" Podem apresentar-se duas ou três soluções, algumas incorretas, e pedir aos alunos que decidam qual está certa e justifiquem a escolha. Desta forma, a correção deixa de ser apenas "certo/errado" e passa a envolver análise, argumentação e raciocínio.


6. Desenvolver autonomia sem retirar apoio demasiado cedo

Se queremos alunos autónomos, precisamos de lhes dar oportunidades para tomar decisões. Podemos começar com bastante orientação e, progressivamente, retirar esse apoio:

Professor demonstra → professor e alunos fazem em conjunto → aluno experimenta com apoio → aluno realiza autonomamente → aluno explica e avalia a estratégia que utilizou.

Uma pergunta simples pode fazer diferença: "O que podes experimentar antes de me dizeres que não consegues?". Não se trata de deixar o aluno sozinho perante a dificuldade, mas de evitar que a resposta do adulto substitua imediatamente o seu esforço de raciocínio.



 7. Integrar o bem-estar na aprendizagem

As competências socioemocionais não precisam de estar separadas da aprendizagem. Podem ser trabalhadas enquanto se aprende. A atenção, o autocontrolo, a persistência perante a dificuldade, a capacidade de pedir ajuda, a tolerância ao erro, a cooperação e a gestão emocional estão presentes diariamente numa sala de aula. Podemos, por exemplo:

  • Ensinar o aluno a dividir uma tarefa que lhe parece demasiado difícil.
  • Normalizar o erro como parte da aprendizagem.
  • Dar pequenas pausas para rever objetivos e estratégias.
  • Ensinar formas adequadas de pedir ajuda.
  • Valorizar a persistência acompanhada de mudança de estratégia.
  • Criar atividades de resolução de problemas em pares ou pequenos grupos.
  • Ajudar os alunos a reconhecer sinais de ansiedade ou frustração perante tarefas exigentes.

Não se trata de escolher entre bem-estar e exigência académica. Trata-se de criar condições para que os alunos consigam lidar com a exigência e aprender.



Uma responsabilidade de todos

Os resultados do PISA não representam apenas números ou rankings internacionais. São um sinal de que precisamos de reforçar as condições que permitem aos jovens aprender melhor e desenvolver todo o seu potencial. A boa notícia é que a investigação tem sido consistente: alunos que leem regularmente, que possuem hábitos de estudo estruturados, que se sentem apoiados pelos pais e que mantêm relações positivas com os professores apresentam melhores resultados académicos e maior bem-estar. 

Mais do que procurar soluções rápidas, o verdadeiro desafio é recuperar aquilo que está na base de qualquer aprendizagem significativa: curiosidade, esforço, relação humana e confiança na capacidade de cada aluno para crescer.

Porque a melhoria dos resultados escolares começa muito antes do momento da avaliação. Começa todos os dias, em casa, na sala de aula e nas pequenas interações que ajudam as crianças e os jovens a acreditar que conseguem aprender.




sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O sucesso também se aprende: como inverter uma trajetória descendente - versão para pais

Setembro é um mês de janeiro para os milhares de alunos e professores. É um novo ano que começa, uma etapa que inicia, com as suas rotinas, desafios, alegrias e angústias. É sempre um momento de recomeço.


A diferença este ano é que fomos confrontados com os mais recentes resultados do PISA que mostraram uma diminuição assustadora dos resultados dos nossos alunos (para ver o relatório clique AQUI). A tendência de crescimento que se registava nos resultados dos nossos alunos inverteu-se e regressaram a níveis que já não se observavam há cerca de 20 anos. 


Em termos práticos, isto significa que muitos jovens apresentam hoje mais dificuldades na leitura e compreensão da informação do que os seus pares de 2005. E quando a leitura falha, o impacto faz-se sentir em todas as áreas. Na Matemática, por exemplo, não basta saber calcular: é preciso compreender o problema, selecionar a informação relevante e definir uma estratégia de resolução. Desde interpretar uma tabela de horários até gerir um orçamento ou comparar preços num supermercado, a capacidade de compreender informação escrita está na base de inúmeras competências essenciais para a vida. 
Por isso, melhorar os resultados escolares significa também investir no desenvolvimento da leitura, do raciocínio e do pensamento crítico.

Perante estes resultados tão discrepantes dos alunos portugueses em áreas fundamentais como a leitura, a matemática e as ciências, é natural que surjam preocupações. De quem será a culpa? Dos ecrãs? Da Escola? Dos pais? Mas, mais importante do que procurar culpados, estes resultados são um convite à reflexão e à ação. 



Sabemos que o sucesso escolar não depende apenas das capacidades individuais dos alunos. É o resultado de hábitos, atitudes, competências socioemocionais, apoio familiar e práticas educativas consistentes. E a ciência psicológica diz-nos que muitas das capacidades associadas ao sucesso podem ser desenvolvidas e fortalecidas ao longo do tempo. A motivação, a persistência, a autonomia, a organização do estudo, a curiosidade e a confiança para enfrentar dificuldades não são características inatas. São competências que se aprendem, treinam e cultivam diariamente.


Neste início de ano letivo, pais e professores têm uma oportunidade única para ajudar os alunos a construir bases mais sólidas para aprender melhor e alcançar o seu potencial. Porque, tal como a leitura, a matemática ou as ciências, também o sucesso se aprende.

Hoje deixamos aqui algumas dicas para os pais. Num próximo artigo voltaremos com sugestões para os professores!


O que podem fazer os pais?


1. Promover hábitos regulares de leitura

A competência leitora continua a ser a base de toda a aprendizagem. Ler não serve apenas para ter melhores notas a Português; é fundamental para compreender problemas matemáticos, interpretar informação científica e desenvolver pensamento crítico.


Algumas sugestões:

  • Criar momentos diários de leitura em família- desligam-se ecrãs e cada um lê o seu livro, na mesma divisão da casa, durante meia hora ou uma hora. Repita duas a três vezes por semana.
  • Dar o exemplo, mostrando que os adultos também leem. Volte a ter um livro na mesinha de cabeceira. Vá à Biblioteca Municipal fazer o cartão de leitor e requisite livros. É grátis! Encontra lá livros para todos os gostos e para todas as idades.
  • Conversar sobre livros, notícias ou artigos de interesse. Comentar o que acontece no mundo, de forma adequada à idade das crianças, indo para além do que se vê na tv ou nas redes sociais.
  • Limitar a utilização passiva dos ecrãs promovendo atividades que exijam concentração. Cada vez mais estamos conscientes de que os ecrãs não desenvolvem competências importantes nas crianças e adolescentes. Devemos voltar aos puzzles, sopas de letras, montagem de Legos, pintura, desenho, trabalhos manuais diversos, ..., além de estimularem a criatividade, a atenção, a destreza motora, entre outras competências, são excelentes estratégias de regulação emocional.


2. Valorizar o esforço mais do que os resultados

Os alunos que acreditam que a inteligência não é uma competência inata, e que pode desenvolver-se através do trabalho, tendem a persistir mais perante as dificuldades. Em vez de dizer: "Tu és muito inteligente." Experimente: "Fico muito orgulhoso/a por te esforçares para estudar para essa disciplina." Esta pequena mudança ajuda a desenvolver uma mentalidade de crescimento e maior resiliência.


3. Criar rotinas previsíveis

O cérebro aprende melhor quando existe organização e previsibilidade nas rotinas. Deste modo, é importante garantir:

  • Horários regulares de sono.
  • Tempo definido para estudo em casa.
  • Espaço tranquilo para realizar as tarefas escolares.
  • Equilíbrio entre aulas, estudo, lazer e atividade física.


4. Desenvolver a autonomia

Muitos pais, com a melhor das intenções, acabam por resolver problemas que deveriam ser enfrentados pelos filhos. Em vez de apontar as soluções, de imediato, fazer perguntas como:

  • "Como é que isso poderia ser resolvido?"
  • "Precisas de ajuda para resolver isso?"
  • "O que é que precisas que eu faça para te ajudar?"

Deste modo estará a estimular a capacidade de reflexão e a autorregulação da aprendizagem.

5. Cuidar da saúde emocional

Ansiedade, baixa autoestima, perfeccionismo excessivo ou desmotivação podem ter um impacto tão significativo como dificuldades na aprendizagem. Ninguém consegue ter um bom desempenho se estiver com medo de falhar ou com receio de desiludir os pais. É importante escutar sem julgamento e validar emoções. Muitas vezes as crianças só precisam de sentir que alguém as ouviu e percebeu o que sentem. E acima de tudo, ouvirem muitas e muitas vezes que os pais não vão deixar de as amar caso alguma coisa corra mal. No entanto, quando nada disto é suficiente, pode ser importante procurar apoio especializado. O Serviço de Psicologia e Orientação do Agrupamento pode ser uma porta a abrir.


Em suma:

Como recordava o pediatra e psicanalista Donald Winnicott, as crianças não precisam de "pais perfeitos", mas de pais suficientemente bons. Esta ideia continua hoje mais atual do que nunca. Num tempo em que as redes sociais parecem estar constantemente a ditar novas regras sobre como educar, é importante lembrar que o desenvolvimento saudável de uma criança não depende de seguir todas as tendências ou aplicar todas as estratégias da moda. Depende, sobretudo, da presença, da disponibilidade emocional, da coerência e do interesse genuíno pela sua vida quotidiana. Conversar ao jantar, perguntar como correu o dia, ler uma história, ajudar a ultrapassar uma frustração ou celebrar uma pequena conquista são gestos simples que deixam marcas profundas.

Porque é no dia a dia, através de relações seguras e consistentes, que se constroem a confiança, a curiosidade, a autonomia e a vontade de aprender que nos acompanham ao longo da vida.


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Opções para o ensino secundário

 Olá, alunos do 9º ano.

A pedido de alguns de vós, aqui vai a apresentação que usamos para vos falar das opções que existem no ensino secundário.

Aproveitem bem!

Cliquem na imagem ou no link abaixo.

Opções para o ensino secundário- 2026-27



segunda-feira, 20 de abril de 2026

Antes de escolher, explora: o primeiro passo para um futuro com sentido

Jovem indeciso, escolha, orientação vocacional
Está quase a chegar o final do ano e com ele a primeira grande escolha: que caminho escolher para o ensino secundário. Escolher o caminho após o 9.º ano pode parecer assustador e, para muitos alunos, é mesmo o primeiro momento em que se confrontam com decisões “a sério”. Entre dúvidas, expectativas e alguma ansiedade, há uma verdade simples que faz toda a diferença: não é preciso ter todas as respostas, mas é essencial começar a explorar.

De facto, boas decisões assentam em boas informações. Ou seja, para escolheres o caminho mais adequado para ti, deves procurar conhecer o melhor possível as opções que tens. É exatamente isso que a orientação vocacional deve ser: um processo de descoberta, não de pressão.

Porque é tão importante conhecer cursos e profissões?

Muitos alunos escolhem uma área de estudos sem realmente saber o que ela implica. Conhecer cursos e profissões permite:

  • Tomar decisões mais conscientes
  • Evitar mudanças de percurso desnecessárias
  • Descobrir interesses que ainda não estavam claros
  • Ganhar motivação para estudar com um objetivo

Mais do que “escolher já”, trata-se de explorar possibilidades.


Guião prático: como explorar cursos e profissões

A seguir damos-te um passo a passo para te ajudar nessa exploração:

1. Começar por ti próprio/a

Além dos resultados dos testes de Orientação Vocacional que fizeste na tua Escola, com o Serviço de Psicologia, é  importante olhares para dentro:

  • O que gostas de fazer nos tempos livres?
  • Em que disciplinas te sentes mais confortável?
  • Preferes trabalhar com pessoas, números, ideias ou coisas práticas?

2. Explorar áreas de estudo

Depois, é altura de perceber que opções existem no ensino secundário e superior.

👉 Recursos:

Sugestão prática: escolhe 3 áreas diferentes e pesquisa:

  • Que profissões estão associadas?
  • Que cursos levam a essas profissões?
  • O que se estuda nesses cursos?

3. Conhecer profissões reais

Muitas vezes os alunos conhecem o nome da profissão, ou o que vêm numa série ou filme, mas não o verdadeiro dia a dia dessa profissão. Nada substitui o contacto direto com profissionais dessa área. Procura contactar com pessoas que exercem as profissões que te interessam  e faz-lhes algumas perguntas:

  • O que mais gosta no seu trabalho?
  • O que é mais difícil?
  • Como é o seu dia a dia? Que tarefas faz?
  • Se voltasse atrás, escolheria o mesmo?
jovem entrevista profissional, exploração vocacional


4. Experimentar sempre que possível

Aqui entra um dos pontos mais importantes:

🎓 Universidades de Verão / Universidade Júnior

Várias instituições organizam programas de verão para alunos do ensino básico e secundário, onde podem experimentar áreas científicas na prática.

👉 Exemplos:

Estas iniciativas permitem:

  • Contactar com diferentes áreas (medicina, engenharia, artes, etc.)
  • Conhecer o ambiente universitário
  • Tomar decisões com base em experiências reais.

5. Refletir e ajustar

Depois da exploração:

  • O que me surpreendeu?
  • O que gostei mais/menos?
  • Que áreas quero continuar a explorar?

👉 Importante: não é uma decisão final — é um processo em construção.


🌟 Para terminar


jovens a decidir caminho, orientação vocacional

Escolher um percurso não é encontrar “a resposta certa”, mas sim dar o próximo passo com mais informação e consciência. É definires o teu percurso, sabendo que ainda terás de tomar outras decisões pelo caminho. E para isso precisas de desvendar o mapa, de saber as alternativas e os caminhos que te levam ao destino.

A orientação vocacional é também um convite à curiosidade. Porque, no fundo, só podemos escolher bem aquilo que conhecemos.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

 Janeiro... um mês para lembrar, agradecer e construir paz

Diz-se muitas vezes que janeiro é o mês mais lonngoooo do anooooo... Os dias parecem arrastar-se, o frio e o cinzento instalam-se, e o entusiasmo típico das festas dá lugar a alguma apatia e cansaço emocional. Para muitas pessoas, este é também um período mais vulnerável do ponto de vista psicológico, marcado por tristeza, desmotivação ou ansiedade face ao novo ano que começa.

No entanto, janeiro não é apenas um mês difícil. É também um tempo simbólico, carregado de significados que nos convidam à reflexão, à memória e à construção de algo novo — individual e coletivamente.

O ano inicia-se com o Dia Mundial da Paz, celebrado a 1 de janeiro. Num mundo atravessado por conflitos, desigualdades e tensões, esta data ganha um peso especial. Falar de paz não é apenas falar da ausência de guerra, mas sim da presença de valores como o respeito, a empatia, o diálogo e a cooperação. A paz começa nos pequenos gestos do quotidiano: na forma como resolvemos conflitos, como escutamos o outro, como cuidamos das nossas relações e da nossa comunidade escolar.


Poucos dias depois, janeiro lembra-nos uma das páginas mais sombrias da história da humanidade: o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, assinalado a 27 de janeiro. Esta data convoca-nos à memória coletiva, não para permanecer no sofrimento do passado, mas para aprender com ele. Recordar o Holocausto é um ato de responsabilidade ética e educativa. É lembrar até onde podem levar o ódio, a discriminação, a desumanização e o silêncio. É também reafirmar a importância da educação para os direitos humanos, para a diversidade e para a inclusão — pilares essenciais de uma escola segura e saudável.


A este respeito, deixamos a sugestão de leitura do Caderno do Avô Heinrich, de Conceição Dinis Tomé (Docente no nosso agrupamento de Escolas). Uma obra que nos faz viajar no tempo e nos conta uma história de amizade e coragem, numa época dominada pelo medo, ao mesmo tempo, que nos fomenta valores como a empatia, a solidariedade e a coragem moral.

Entre estas datas de grande peso histórico e simbólico, janeiro celebra também algo aparentemente simples, mas profundamente transformador: o Dia do Obrigado. Dizer obrigado/a é um gesto pequeno, mas com um impacto enorme no bem-estar psicológico e relacional. A gratidão fortalece vínculos, promove emoções positivas, aumenta o sentido de pertença e contribui para um clima mais positivo, seja na família, na escola ou na sociedade. 

                             

Na psicologia, sabemos que praticar a gratidão — reconhecer o que recebemos, o apoio que temos e os pequenos aspetos positivos do dia a dia — está associado a níveis mais elevados de bem-estar emocional, resiliência e satisfação com a vida. Num contexto escolar, o agradecimento pode ser uma poderosa ferramenta educativa: agradecer o esforço, a ajuda, a escuta, o respeito. Ensinar crianças e jovens a valorizar o outro é também educar para a paz.

Assim, apesar da fama de mês cinzento e pesado, janeiro pode ser encarado como um tempo de consciência e intenção. Um mês que nos convida a olhar para trás, para não repetir erros; a olhar para o presente, para cuidar das nossas emoções e relações; e a olhar para o futuro, com responsabilidade e esperança.

No Serviço de Psicologia e Orientação, acreditamos que a saúde psicológica se constrói todos os dias, através de pequenos gestos, de espaços de escuta, de relações significativas e de uma escola que valoriza o bem-estar emocional tanto quanto o sucesso académico.

Que este início de ano seja uma oportunidade para:

  • falar mais de paz e praticá-la no quotidiano;
  • lembrar o passado para construir um futuro mais justo;
  • dizer mais vezes obrigado/a, com sinceridade;
  • e cuidar de nós e dos outros, com empatia.

Mesmo nos meses mais longos e cinzentos, é possível acender pequenas luzes.

Janeiro pode ser o começo ;)